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Test-drive: Kwid E-Tech e Mini Dolphin são vencedores

Compactos elétricos mostram forças distintas e confirmam avanço de chineses e franceses

Foto : Rodolfo Buhrer / La Imagem / Renault / Divulgação / CP

Foi um teste com dois carros para uso urbano, com grande aceitação global. Um teste de curta duração com o Mini Dolphin, o elétrico da BYD, sucesso de vendas no mercado brasileiro. O teste do Mini Dolphin foi realizado em um dia, com mais de 150 quilômetros rodados, com 80% em uso urbano e 30% na BR-101, a caminho do litoral gaúcho. O Mini foi cedido para avaliação por revenda do mercado “paralelo”, um Dolphin seminovo ano 2025, com não mais do que 5 mil quilômetros rodados.

Já o Kwid elétrico tem uma trajetória extensa com CM do CP. Houveram testes com o Kwid elétrico desde seu lançamento no Brasil em 2024. O primeiro teste em rodovia no Paraná, mais cinco dias de empréstimo do Kwid elétrico pela Renault em Porto Alegre. E mais testes no trânsito difícil e tenso de São Paulo. Onde o Kwid elétrico mostrou ser valente e com performance bem superior à do Kwid a combustão.

Já o Mini Dolphin é maior do que o Kwid, com 3,78 m de comprimento, 1,72 m de largura e entre-eixos de 2,50 m. Enquanto o entre-eixos do Kwid tem 2,42 m. A distância entre-eixos menor não interfere no espaço interno do Kwid, confortável para até cinco passageiros. Mas incomoda a largura de 1,55 m, que aproxima em excesso motorista e passageiro. O Kwid tem um design “formal”, com vidros laterais maiores em relação ao Mini Dolphin, adequados à visualização segura do “em torno”. O Mini Dolphin tem design futurista, com a linha lateral que “sobe” em direção à traseira. Um formato que reduz o tamanho dos vidros laterais traseiros e mais ainda da área do vidro traseiro. Para quem viaja no banco traseiro há uma sensação de “clausura”. Mas nem todo mundo tem claustrofobia. Os chineses não temem ser “dramáticos” e ousados no design. Mas as soluções estéticas tantas vezes se chocam com a praticidade e mesmo com a visualização do trânsito circundante. Ainda bem que a maioria dos carros chineses tem hoje câmeras externas que monitoram o fluxo de trânsito. Mas o Mini Dolphin não tem, e o motorista monitora o fluxo de trânsito através dos retrovisores bem posicionados. Mas o quesito visualização do exterior favorece o Kwid elétrico. No Mini Dolphin, o para-brisa dianteiro muito inclinado tem tamanho superior ao do Kwid. A visão pela traseira no Mini Dolphin fica prejudicada pela queda acentuada do teto em direção ao porta-malas. Nem poderia ser diferente na estranheza geral do design, que visa antes de mais nada diferenciar um carro pequeno na “multidão”. O que acontece, porque é difícil ficar indiferente ao exotismo estético do mini BYD.

Dolphin é opção totalmente elétrica | Foto: BYD / Divulgação CP

Mas o consumidor brasileiro assimilou esta identidade visual complexa do Mini Dolphin. E o carrinho é um campeão de vendas no Brasil. Não há acentuada diferença estética entre o Kwid elétrico e o modelo a combustão. O Kwid é um carro de design descomplicado, sem os “recortes, ângulos agudos e sinuosidades” do Mini Dolphin. A indústria automobilística francesa tem sua trajetória associada a minicars icônicos como o Renault Clio, um eterno líder de vendas na França, que só agora ganha linhas mais futuristas e aerodinâmicas. O Kwid E-Tech não tem recortes excessivos na carroceria, nem aqueles ângulos agudos que povoam o Mini Dolphin. O Kwid vai mudar na estética em 2027, avisa a Renault na França. E a versão elétrica terá um design bem mais ousado em relação ao modelo atual.

Mas o “conteúdo” tecnológico foi atualizado nesta versão 2026. Por exemplo, no painel de instrumentos, que é 100% digital de 7 polegadas, com central multimídia de 10 polegadas com conexão com fio para Apple CarPlay e Android Auto. Há um novo volante multifuncional com “melhor pega” e o câmbio E-shifter substitui o antigo seletor de marchas giratório, que realmente destoava da imagem de carro dinâmico do E-Tech. O Kwid elétrico adota um pacote com 11 sistemas eletrônicos de auxílio à condução. São eles: frenagem autônoma de emergência, assistente e alertas de permanência em faixa, reconhecimento de placas de velocidade e sensor de fadiga. O Kwid elétrico traz ainda seis airbags de série, piloto automático, limitador de velocidade, câmera de ré e sensor de estacionamento dianteiro e traseiro. Ter o “Adas”, o tecnológico pacote de segurança, é sem dúvida uma vantagem do Kwid em relação ao Mini Dolphin. Para o público da China, um pacote de segurança é menos importante do que um “karaokê” a bordo, onde todos os ocupantes do veículo podem cantar juntos. Telas enormes, divertimento e distrações a bordo são causas das mais de 250 mil mortes no trânsito da China em 2025. O governo tem investido bilhões de dólares em campanhas de conscientização e segurança viária e espera reduzir o número de mortes no trânsito em 40% em 2026. E carros chineses já recebem em 2026 sistemas de segurança mais completos e complexos, que integram a necessidade do “país do automóvel” de matar menos no trânsito.

Em relação à performance, o Kwid E-Tech nesta versão 2026 prossegue com o motor elétrico de 65 hp (48 kW) e bateria de 26,8 kWh, que garantem autonomia de 280 km, segundo o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro. Mas numa avaliação em rodovia, na RS-118, o Kwid elétrico chegou aos 240 quilômetros rodados. A volta a Porto Alegre foi preservada com o acionamento do “modo econômico”, que determina que a velocidade não supere os 40 km/h. Portanto, é o “modo da paciência” e pé direito leve, elementos essenciais de economia em carro elétrico. Foi uma volta lenta, mas sem traumas. Era noite na rodovia, o que ampliava a famosa “angústia elétrica”, ou medo de ficar sem carga nestas perigosas rodovias do Brasil. E a carga da bateria depende do modo de condução. A pressão leve no acelerador significa maior autonomia.

O teste do Mini Dolphin, limitado pela exiguidade do tempo de condução, mostrou um carro pequeno bastante ágil em trânsito urbano. Esta agilidade é sempre presente nos “veículos” da BYD, sempre preocupada em mostrar que a eletricidade é irmã da performance. Mesmo porque não dá para comparar a agressividade do torque do carro elétrico com a performance mais suave do carro a combustão. Em dois testes realizados em autódromo com o BYD Seal, o sedã esportivo com 531 hp, a impressão era de guiar um Porsche ou um Mercedes-AMG. O belo sedã familiar da BYD era também um bravo carro esportivo. O que exigia cuidado redobrado, porque o Seal, pelo toque “brutal”, passava a impressão de ser “leve” demais. Mas era só o poder da “cavalaria”.

O Mini Dolphin não tem a pretensão de ser “esportivo”, nem o Kwid elétrico. São carros urbanos, familiares e seguros na condução, que passam uma impressão de leveza e simplicidade. Isto significa que a bordo de um Mini Dolphin ou Kwid E-Tech, a senhora acima de 70 anos de idade ou o jovem de 20 se sentirão igualmente à vontade. O Mini Dolphin mostra o habitual capricho da BYD em relação ao acabamento interno, onde o material fofo e suave ao toque dos revestimentos supera em muito o plástico duro. Dirija um Citroën C3 “made in Brasil” e a sensação será que você toca constantemente “tijolos”, tal a dureza do material plástico do revestimento. No Dolphin, a delicadeza dos materiais prevalece e torna o uso mais prazeroso.

Ao enfrentar os pavimentos urbanos sempre degradados no Brasil, a maior rigidez torsional no Kwid, com suspensões muito bem calibradas, foi sinônimo de conforto de rodagem associado a um alto nível de segurança ativa. Em rodovia, o Kwid também mostrou superioridade no correto peso do volante e estabilidade direcional superior. O Mini Dolphin também anda em linha reta sem desvios de trajetória e mantém, como o Kwid, um nível elevado de estabilidade lateral. Mas o Mini Dolphin é mais sensível às irregularidades do terreno. Nem todas as marcas chinesas que estão no Brasil têm carros totalmente adaptados às condições de rodagem e gostos dos motoristas brasileiros, que detestam carros com suspensões excessivamente macias. No Brasil, o carro que “rola” excessivamente e transmite sensação de insegurança é rejeitado pelos consumidores, que até hoje encaram o GM Onix como um carro “mole” demais. Felizmente, o Kwid E-Tech e o Mini Dolphin são carros com limitada inclinação lateral da carroceria, que passam aquela sensação de segurança que agrada o motorista. As medidas concisas do Dolphin, com 3,78 m de comprimento, 1,72 m de altura, 1,58 m de largura e entre-eixos de 2,50 m, determinam uma regulagem um pouco mais macia das suspensões, que ajudam a dissipar impactos pela reduzida carroceria do carro. É assim também no Kwid elétrico, que é mais “macio” em relação à versão a combustão. Mas nenhum dos dois foi projetado para longas jornadas rodoviárias e são carros essencialmente urbanos. As carrocerias curtas devem acomodar quatro passageiros com conforto, mas cobram seu preço na exiguidade dos porta-malas, que têm 230 litros de capacidade no Mini Dolphin e 60 litros a mais no Kwid. Esta capacidade a mais do “francesinho” pode ser determinante para que a família o aceite, já que a “patroa” nunca esquece de nada no supermercado. O detalhe arcaico no Mini futurista Dolphin é a ausência de estepe, substituída por um “kit de reparos”, que pode transformar o “descolado” proprietário em “borracheiro chinês”. É tremendamente desagradável este kit.

O Kwid elétrico tem o tecnológico Adas, o pacote de segurança que monitora as ações do motorista. Mas o BYD Mini Dolphin não é destituído de tecnologias voltadas à segurança. O mini chinês vem com freio de estacionamento eletrônico, seis airbags, controle de velocidade de cruzeiro, câmera de ré, sensores de estacionamento traseiro e freios a disco nas quatro rodas. Não foi feito o teste de autonomia do Mini Dolphin, que segundo o Inmetro é de 280 quilômetros, suficiente para um uso urbano tranquilo e sem a famosa “angústia elétrica”. No teste foram percorridos 170 quilômetros com o Mini Dolphin e alguns milhares de quilômetros nos diversos testes com o Kwid elétrico. Mas afinal, qual agradou mais ao piloto de testes de CM do CP? Sinceramente, seria injusto colocar vencedor e perdedor. Trata-se de dois modelos atualizados na tecnologia elétrica, voltados ao futuro, que mostram também o expertise de chineses e franceses na produção de veículos elétricos. O consumidor global entende que são práticos e avançados na tecnologia — e os compra pelo mundo.