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Test-drive: o charme e eficiência da Rampage

Picape é mais adaptada ao trânsito urbano que suas irmãs grandonas

Design imponente e robusto, a identidade marcante da Rampage
Design imponente e robusto, a identidade marcante da Rampage Foto : Renato Rossi / Especial CP

A picape Ram Rampage é a versão "menor" na linha Ram, com 5m03cm de comprimento. Em relação às suas irmãs maiores, as Ram 1500, 2500 e 3500, todas com mais de 5,7 metros de comprimento, a Rampage é uma "baby Ram", mais adaptada ao trânsito urbano em relação às demais Ram. É lógico que este conceito de picape tipicamente norte-americano só ficaria à vontade no chamado "Brasilsão", que tem propriedades rurais que poderiam ser "países europeus". Nestes espaços, as Ram ficam à vontade e, por serem veículos utilitários, servem ao trabalho rural.

Todas as versões da Ram têm tração 4x4 com "reduzida". São picapes com preços elevados, como as versões 2500 e 3500, que têm preços em torno de R$ 445 mil. Esses valores são apenas sugeridos, diante de fatores diversos como localização e versões. Uma característica da marca Ram é oferecer diversas versões com diferentes graus de sofisticação estética e tecnológica.

Mas, como em outros segmentos do mercado automobilístico, as picapes já sofrem a concorrência das picapes chinesas, que integram um grau elevado de tecnologia. Já estão no mercado brasileiro a BYD Shark, a Jac Hunter e, em breve, chega a Poer da GWM. É mais "lenha na fogueira" num mercado ultracompetitivo, graças aos chineses. E as picapes chinesas custam menos do que as produzidas no Brasil.

Versatilidade e presença: caçamba espaçosa e estilo que impressiona | Foto: Renato Rossi / Especial CP

A chegada da menor Rampage ao mercado, em 2023, visou atrair também o público urbano, que vê a picape da Ram como um possível veículo para uso na cidade. Uma Ram Rampage versão Laramie foi utilizada por CM do CP por três dias na cidade, com breve rodagem pela BR-101. Com 5.028mm de comprimento, largura de 1.886mm, altura de 1.771mm e entre-eixos de 2.994mm, são medidas que cabem nas ruas das cidades do Brasil e facilitam a assimilação da Rampage pelo público urbano.

É o modelo da Ram mais próximo da realidade brasileira, que nada tem a ver com o conceito de uso de picape nos Estados Unidos, um país que não dissocia a cidade da highway, a poderosa autoestrada que cruza as cidades cheias de amplas avenidas. O Brasil não tem isso. A cidade congestionada, de ruas estreitas, convive mal com picapes grandes. Os modelos 2500 e 3500 da Ram têm 6.006mm de comprimento e 2.120mm de largura. Não é fácil transitar com um corpo tão graúdo em cidades brasileiras. É quase inviável. Por isso, 90% das vendas dos modelos 1500, 2500 e 3500 são direcionadas às áreas do agronegócio no Brasil.

A situação é diferente com a Rampage, que tem tamanho e dirigibilidade leve e suave, induzindo o motorista a se sentir à vontade ao volante, quase como se estivesse em um hatchback do porte de um Argo ou Onix. No entanto, um veículo com mais de 5 metros exige cuidado no trânsito para que a caçamba não atinja motociclistas ou carros ao lado. Mas uma condução cuidadosa e atenta deve ser a conduta de qualquer motorista, independentemente do veículo.

A excelente dinâmica da Rampage contribui para isso. A suspensão "multibraços" na traseira amplia o conforto de rodagem. A Ram Rampage Laramie integra o novo motor 2.2 a diesel, com 200 cv e um torque poderoso de 45,9 kgfm. Este motor tem uma linearidade de torque das baixas às altas rotações, graças à engenharia que visa uma ampla utilização da picape tanto na cidade quanto no meio rural. Apesar da suavidade no manejo, a Rampage pode enfrentar, sem medo, caminhos tortuosos nas áreas rurais. Afinal, a origem norte-americana da Ram exige que as picapes sejam veículos robustos, preparados para patrulhar poços de petróleo no Texas ou trafegar por ambientes urbanos sofisticados.

Motor 2.2 diesel com 200 cv e 45,9 kgfm de torque | Foto: Renato Rossi / Especial CP

Embora tenha DNA norte-americano, a Rampage foi projetada para o Brasil, buscando atrair também um público urbano interessado em SUVs chineses. Sua estética aerodinâmica e suave a aproxima de um SUV, tornando a marca mais atraente para o público jovem. As mulheres também aderiram ao conceito versátil da Rampage. Há muitas condutoras nas cidades e áreas rurais do Brasil a bordo da picape.

A Rampage Laramie testada é muito bem equipada. Possui assistente de manutenção em linha reta, frenagem eletrônica emergencial, sistema de infoentretenimento com tela central de 12 polegadas, alerta de ponto cego, seis airbags, câmeras 360 graus, faróis em LED com assistente de farol alto, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, alerta de tráfego cruzado traseiro, ar-condicionado automático dual zone e saídas de ar para os bancos traseiros, entre outros itens que destacam a modernidade do projeto.

Infelizmente, a Stellantis tem um nível reduzido de eletrificação. A excelente dinâmica da Rampage sem dúvida merecia uma versão elétrica. A eletrificação da Stellantis passa pela marca chinesa Leap Motor, que, em 2024, recebeu um investimento bilionário do grupo. Felizmente, a Stellantis optou por manter a identidade da Leap, que soa mais autêntica.

Na verdade, a Stellantis "atalhou" ao se associar aos chineses, evitando um investimento de mais de 200 bilhões de euros, como fez a Volkswagen para criar do zero a linha elétrica ID, que fracassou na China e na Europa. O grupo simplesmente "comprou" a tecnologia elétrica chinesa, superior à das montadoras europeias, com exceção da Renault, que produz veículos elétricos de tecnologia equivalente. Afinal, a Renault foi pioneira na eletrificação, lançando uma linha completa no Salão de Frankfurt de 2011.

Agora, ser ou não elétrica não é preocupação da Ram. O novo governo de Donald Trump permitirá apenas a produção de veículos a combustível. Como a Ram extrai 90% de sua lucratividade do mercado norte-americano, a euforia tomou conta da Stellantis e da Ram. Quanto ao resto do mundo, a aposta nos motores a combustível ainda é uma grande incógnita.