
O Gol foi lançado no mercado em 1980. Quando havia, acredita-se, somente um tipo de computador no Brasil. Aquele que ocupava um pavilhão inteiro, fabricado pela IBM. Quando o Gol foi lançado o carburador mandava no motor com seu humor variado: um dia vazava, no outro engasgava e no frio o carro não “pegava”. É rima pobre para um tempo de enorme carência tecnológica. O Gol, na sua simplicidade durável e praticidade adequada ao limitado poder aquisitivo do Brasileiro, fez sucesso. E sua liderança de mercado durou mais de três décadas. No correr dos anos teve centenas de versões e uma evolução tecnológica constante que o atualizava e mantinha na liderança do mercado. O Gol evoluiu enquanto o sistema viário brasileiro estagnou: em 2017 o Brasil continua tendo no solo a “pedra quebrada”, asfalto rachado e buraco que quebra tudo. Neste contexto penoso o Gol, carro resistente de fácil e barata manutenção, mantem seus milhões de adeptos no Brasil.
Há mais uma versão no mercado, a Track. Que traz algumas mudanças estéticas na carroceria na adoção de spoiler e “saias” que visam a aparência esportiva e, logicamente, o público jovem. Pela robustez, o Gol tem até um lado meio “dark”, rebelde e “fora da lei”: é o carro preferido dos “rachadores de rua”, que compram o Gol de geração antiga pela robustez da estrutura e o “preenchem” com cavalos a mais, melhorias tecnológicas, freios a disco nas quatro rodas e diferencial blocante, permitindo o famoso “zerinho”, que queima pneu num girar do carro constante sobre seu eixo. Sai fumaça e a galera delira. E não se assuste ao ver um Gol “bolinha” passar por você a mais de 200 por hora. É o “rachador” que logo será preso. Mas com o ego inflado.

O Track também é um Gol veloz que recebeu o ótimo motor três cilindros aspirado com 82hps, que também equipa o Up!. É o melhor três cilindros disponível no mercado brasileiro. Que na versão turbinada transforma o Up! em carro esportivo. No Track, a disponibilidade de torque forte surge aos 1500 giros e torna o carro ágil em trânsito urbano. O Gol Track arranca na frente de muito “grandão” metido a veloz. Na rodovia também consegue manter uma alta velocidade média, sem esforço aparente do motor. O câmbio é o tradicional cinco marchas mecânico de engates precisos e as suspensões um pouco mais elevadas são mais rígidas em relação a versões normais do Gol. Mas a rígida plataforma, suspensões bem calibradas e qualidade do conjunto mecânico oferecem um handling, ou dirigibilidade, precisa e satisfatória. Convém lembrar que as suspensões do Track, embora mais enrijecidas, absorvem bem as irregularidades do terreno. A máscara negra nos faróis e spoilers realçam a esportividade. No habitáculo há bom espaço para até quatro passageiros. E insere no painel dianteiro o novo design mais impressivo e bonito da Volkswagen em escala global. O acabamento, como sempre acontece na Volks, é de primeira. O Track continua na saga do Gol. Numa forma charmosa, consistente na tecnologia e na performance que pode agradar a qualquer faixa etária. Embora os mais jovens prefiram esta competitiva versão Track.
Por Renato Rossi
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