Os Replicantes

Veterana banda gaúcha abala Tramandaí com showzaço dentro do projeto “Rock RS na Praia - A História Não Acabou”

Júlia Barth completou 16 anos como vocalista da clássica banda Punk Gaúcha
Júlia Barth completou 16 anos como vocalista da clássica banda Punk Gaúcha Foto : Guilherme Almeida / Correio do Povo

Os Replicantes fizeram um showzaço no sábado, em Tramandaí, em um palco montado na praça localizada entre a Avenida Beira Mar esquina com Avenida da Igreja, dentro do projeto “Rock RS na Praia - A História Não Acabou”. Aproximadamente mil pessoas curtiram o espetáculo, que teve também o grupo Clássicos do Rock, formado por figuras que marcaram época no gênero musical em Porto Alegre, entre eles Márcio Petracco e Fábio Ly (do TNT), Luciano Albo (dos Cascavelletes), Felipe Rotta (da banda de Humberto Gessinger) e King Jim (Garotos da Rua e idealizador do projeto).

Antes de Os Replicantes, o Clássicos do Rock animou a galera tocando vários hits roqueiros gaúchos, como “Sob Um Céu de Blues”, “Sabe o Que Acontece Comigo”, “Você é Tudo o Que Eu Quero”, entre outras. Todo mundo sentado, observando os seus ídolos oitentistas. Então a banda punk fez uma apresentação apoteótica, fazendo levantar o público – a entrada foi totalmente gratuita. O show começou no final de tarde, ainda com a presença do sol, e só foi acabar já de noite, a escuridão tomando conta. Com 38 anos de estrada, Os Replicantes têm fãs com muito menos de sua idade de carreira. Muitos jovens dançaram quase à exaustão em frente ao palco.

A vocalista Júlia Barth, na banda há 16 anos, soltou a voz em 20 músicas muito conhecidas do público, passando por “Choque”, Nicotina”, “Sandina”, “Astronauta”, “Hippie-Punk-Rajneesh”, “Censor” e encerrando com “A Verdadeira Corrida Espacial”. Claro, sem esquecer o clássico-mor “Surfista Calhorda”, que lançou Os Replicantes à fama há quase quatro décadas, com direito ao primeiro videoclipe da história do Rock Gaúcho.

“Cara, é um privilégio ser a vocalista de minha banda preferida”, disse Júlia, que entrou em Os Replicantes em agosto de 2006. “No começo foi difícil, pois estava substituindo um ídolo (Wander Wildner), mas agora me sinto muito à vontade e cheia de gás”, garantiu ela, que começou a carreira como atriz, mas como sempre gostou de cantar, em 1998, fundou a banda Alcalóides, “que ainda está por aí”, brincou Júlia, que se define: “Sou uma performer”, antes de dizer que a sua música preferida é “A Verdadeira Corrida Espacial”, que não por acaso encerrou a apresentação no sábado, já com a noite caindo sobre Tramandaí.

Prestes a completar 66 anos de vida nos próximos dias, o baixista e um dos fundadores de Os Replicantes, Heron Heinz, contou que o show em Tramandaí foi emocionante. “Aqui é a nossa segunda casa”, destacou ele, lembrando que frequenta a cidade litorânea há várias décadas. O músico lamentou, no entanto, a falta de espaço na mídia para o Rock, como consequência o gênero perder espaço para outros ritmos musicais duvidosos. “A falta que faz uma Ipanema FM, os programas de clipes na TV Guaíba. A gente estava sempre em evidência, tocava todas as semanas. Hoje em dia não tem mais nada”, constatou.

“Tivemos de nos adaptar aos novos tempos, mas nunca perdendo a essência roqueira. E isso, por incrível que pareça, nos fez ganhar um público novo, gurizada mesmo, contestadora. E ainda o público feminino devido à presença da Júlia”, disse. “Ela foi um achado, a melhor coisa que a gente poderia ter feito. Quando perdemos o Wander, a Júlia foi sempre a única opção. A primeira e única”, concluiu.

Terminado o show, os músicos de Os Replicantes mostram ser gente como a gente e se perdem no meio dos fãs, de todas as idades e gêneros. Todos querendo tirar uma selfie, pegar um autógrafo com a história viva do Rock Gaúcho. Eu fiz fotos com a Júlia, o Heron, e ainda fiquei com o setlist do show, devidamente autografado, e que vai ser enquadrado.

Os shows não param por aqui. O segundo show do projeto está marcado para o próximo sábado, dia 21, em Imbé, com o encontro da banda instrumental Pata de Elefante com o rockeiro Frank Jorge, autor do clássico “Amigo Punk”. Por fim, no dia 28 deste mês, o “Rock RS na Praia - A História Não Acabou” chegará a Capão da Canoa, com shows da Bandaliera e Garotos da Rua. As arenas onde acontecem as apresentações são abertas ao público, sem cobranças de ingresso, com o patrocínio da Claro e o financiamento do Pró-Cultura RS.

Fotos: Guilherme Almeida / Correio do Povo

Escute Os Replicantes no Spotify: https://open.spotify.com/artist/6hP7JNm3e4E0c5bldlKlO6

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