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Uma criança muda tudo. Esta é a premissa do filme "O Porto", do cineasta finlandês Aki Kaurismäki, que ambienta sua história na cidade portuária francesa chamada Havre, na cinzenta região da Normandia. O local mostra um pedaço da França longe do ensolarado litoral mediterrâneo ou do glamour de Paris. Ali vive Marcel Marx, antigo escritor boêmio que atualmente é engraxate de sapatos. Ele resignou-se a uma vida simples. Circula pelas ruas da cidade para trabalhar e volta e meia é enxotado, vai ao bar próximo da sua casa e tem o carinho da mulher Arletty. Por ser uma localidade em margem oposta à Inglaterra, Havre vira passagem para imigrantes ilegais que tentam chegar ao Reino Unido. Certo dia, um contêiner com africanos nesta situação é encontrado por policiais e um menino consegue fugir. O garoto passa a se esconder pelo porto, quando o velho escritor o vê. Ao mesmo tempo, Arletty fica doente e é hospitalizada. Marcel acaba dividindo seu tempo hospedando o garoto, burlando a Polícia e visitando a mulher no hospital. Uma das questões mais interessantes no filme é a rede de solidariedade clandestina que se forma para ajudar o menino e impedir que seja extraditado. É um filme simples que se torna encantador. Mostra que não é preciso grandes aparatos para se contar uma boa história. Ganhou o Prêmio Fipresci (da crítica) no Festival de Cannes 2011.

Por Adriana Androvandi.

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