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“A Boa Esposa” (La Bonne Épouse)

Juliette Binoche protagoniza comédia mostrando a tomada de consciência das mulheres por seus direitos


Paulette (Juliette Binoche) começa a se questionar se o que ensinava para as jovens era o correto
Paulette (Juliette Binoche) começa a se questionar se o que ensinava para as jovens era o correto Foto : Califórnia Filmes / Divulgação / CP

Sempre tive uma bronca com a atriz francesa Juliette Binoche, muito por conta de suas personagens sofridas, deprimidas e chatas, como visto em “Os Amantes da Pont-Neuf”, “O Paciente Inglês” e “Cópia Fiel”. Mas de um tempo para cá, comecei a vê-la com outros olhos. E em “A Boa Esposa” (La Bonne Épouse), direção de Martin Provost, Juliette está explendorosa, bem-humorada e divertida.

O diretor Martin Provost costuma ter o tema da emancipação feminina como assunto recorrente em seus filmes de Martin Provost. Muitas de suas personagens femininas têm necessidade de liberdade e de emancipação. E ambientar a sua nova obra nos explosivos anos de 1967/1968 foi uma forma de mostrar que o movimento de Maio de 68 acelerou a libertação das mulheres.

Juliette Binoche vive Paulette Van Der Beck, uma conservadora mulher, que ao lado do marido dirige a Escola Doméstica Van Der Beck. No lugar, garotas de todas as classes sociais recebem lições de como serem boas esposas, a cumprir seus deveres matrimoniais e cuidarem do dia a dia como perfeitas donas de casa. A submissão é o ponto forte que recebem em suas aulas.

Porém, a visão de Paulette começa a mudar quando ela, de repente, fica viúva e descobre que está falida, já que seu marido gastava tudo em jogos. Ela tem de assumir a escola sozinha, e verificar que algumas coisas começam a mudar na França naquele 1968. Inclusive se vê envolvida com a volta de seu primeiro namorado. Paulette começa a se questionar se aquilo que ensinava para as jovens mulheres em sua escola era o correto.

Como em grande parte do mundo, as mulheres francesas demoraram a conquistar direitos e independência. Em 1873 foi criada a primeira escola para donas de casa em Reims e a educação doméstica para meninas incluída em programa da escola primária em 1822.

Na França, somente em 1944 elas conquistaram o direito ao voto. E só em 1965 puderam praticar uma profissão e abrir uma conta bancária sem a permissão do marido, que até então era considerado o chefe da família. Em 1970, acontece a primeira reunião do MLF (Movimento de Liberdade Feminina) na Universidade de Vincennes.

Dois anos depois, em 1972, no “Julgamento de Bobigny”, a advogada ativista Gisèle Halimi obtém a liberação de uma menor julgada por ter abortado após ser estuprada. A liberação do aborto aconteceu, em 1975, mesmo ano do estabelecimento de divórcio por consentimento mútuo.  A mãe passou a ter direito de adicionar seu nome no sobrenome do filho apenas em 1984. Em 1990 foi reconhecido que poderia haver estupro entre cônjuges e, dez anos depois, em 2000, a pílula do dia seguinte passou a estar disponível gratuitamente para menores nas farmácias. Em 2006 a idade legal para casamento de mulheres foi aumentada de 15 para 18.

Ah, as escolas domésticas, comuns na França, desapareceram em 1971.

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