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A luta pela sobrevivência na cidade e no campo

Fernanda Vianna ganhou o Kikito de Melhor Atriz no Festival de Gramado 2024 pela sua atuação no filme 'Cidade; Campo'
Fernanda Vianna ganhou o Kikito de Melhor Atriz no Festival de Gramado 2024 pela sua atuação no filme 'Cidade; Campo' Foto : Vitrine Filmes / Divulgação / CP

"Cidade Campo", dirigido por Juliana Rojas (SP), é um filme dividido em duas partes, uma se passa na cidade e outra no campo. As personagens são mulheres que migram entre o ambiente rural e urbano.

A parte da cidade é protagonizada por Fernanda Vianna. A personagem chega na casa da irmã, em São Paulo, após perder tudo com a tragédia causada pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG). Começa a trabalhar como diarista em uma empresa terceirizada, que não oferece nenhum direito aos trabalhadores. Entre pesadelos com a lama e com o que perdeu, a única coisa que a conecta à terra que tinha é uma pequena horta em um terraço da casa onde agora vive.

Fernanda Vianna ganhou o troféu de Melhor Atriz por "Cidade; Campo" no Festival de Cinema de Gramado 2024. Este é o segundo Kikito da artista, que recebeu o primeiro por "O Que se Move” (2012), de Caetano Gotardo. Além de agradecer à equipe do longa, ela também agradeceu ao grupo teatral Galpão, do qual faz parte. "Cidade; Campo" levou ainda o Prêmio da Crítica no mesmo festival.

A parte do campo foi rodada em uma fazenda em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e acompanha um casal de lésbicas, Mara (Bruna Linzmeyer) e Flavia (Mirella Façanha). Uma delas, Flavia, herda uma propriedade do pai e sai da cidade para a fazenda, acompanhada da companheira, que é veterinária. Ambas tentam recomeçar a vida ali, mas além das dificuldades próprias da atividade, alguma coisa não permite que nada ali prospere. Pode-se interpretar como o uso de agrotóxicos na agricultura brasileira, mas isso não é dito claramente. Há um mistério no ar nesta parte do filme.

Em um primeiro olhar, são histórias totalmente diferentes. "As personagens vivem dualidades porque fizeram uma travessia, vieram de lugares diferentes de onde estão", explica a diretora. Alguns elementos, em detalhes, estão em ambas as partes, como um corpo celeste que se aproxima da lua.

O universo fantasmagórico e onírico faz parte do trabalho da cineasta. "Não trabalho a fantasmagoria como terror, mas como uma forma de refletir sobre o pós-morte, o além-mundo", complementa Juliana. Na segunda parte, ambientada na fazenda, a questão sobrenatural é trabalhada como uma busca pelos ancestrais.

É um filme delicado, mas que, ao mesmo tempo, mostra o quão duro é o mundo para recomeços.

“Cidade; Campo” é o quarto longa-metragem de ficção de Juliana Rojas. Vale ressaltar a perseverança da produtora Dezenove Som Imagens, tendo à frente Sara Silveira (gaúcha radicada em São Paulo), que conseguiu finalizar o filme em tempos de dificuldades oriundas da pandemia e de um governo avesso ao apoio à cultura.

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