A vida não é futebol
Quando um filme tem como protagonista uma pessoa comum, com uma vida comum e sem grandes pretensões, o diretor tem que trabalhar muito bem para manter o público conectado com a dramaticidade de sua obra. Nem sempre a gente quer ver, na tela, uma "a vida como ela é"... isso acontecia até pouco tempo, sobretudo quando ficava distante de nossa realidade, e mais próxima às vidas em outras latitudes... com particularidades muito locais. Com o "advento" da globalização (incluindo mentes e corações), o desejo de conectar-se com histórias de vida, de qualquer parte do mundo, parece estar se ampliando.
Com o filme À Procura de Eric, o diretor Ken Loach nos leva a viver o universo de Eric Bishop, um homem de meia-idade que trabalha na central dos correios de Manchester - a cidade do time de futebol Manchester United e esporte pelo qual ele é um fanático. Já de partida, uma situação extrema nos conecta com a problemática vivência de Eric, que atravessa uma profunda crise: a segunda esposa não volta para casa e ele está sozinho com dois enteados adolescentes que não o respeitam.
Hábil, o diretor nos conduz a experienciar as dificuldades do personagem, que, naturalmente, entra em pânico, até o dia em que, como se um gênio saísse da lâmpada de Aladim, aparece na sua frente um outro Eric, o jogador de futebol francês Eric Cantona. O roteiro de Paul Laverty só faz crer que a vida, realmente não é futebol... mas tem boas jogadas... vale a experiência de colocar-se no lugar do personagem...
