O esperado documentário “Sal da Terra” aborda vida e obra de um dos mais reconhecidos fotógrafos da atualidade, o brasileiro Sebastião Salgado, famoso por suas imagens humanas e sociais e, mais recentemente, ambientais, sempre em preto e branco. A direção é do cineasta alemão Wim Wenders, que conta, na narrativa, que se encantou pelas fotografias de Salgado muito antes de conhecê-lo. A codireção é do filho do protagonista, Juliano Salgado, que acompanhou o pai em viagens e foi também o câmera. O filme é de uma sensibilidade e força só capazes quando ocorre o encontro de dois “gigantes” da arte. Sendo um dos filmes imperdíveis do ano, é uma pena que esteja em apenas uma sala em Porto Alegre (estreou em 26 de março de 2015). Além das histórias dos bastidores das fotos mais marcantes de Sebastião Salgado, também se conhece o desenvolvimento do seu projeto socioambiental, o Instituto Terra, ONG criada na fazenda de sua família em Minas Gerais. O objetivo é a recuperação da Mata Atlântica na região. Também se destaca a relação de Salgado com sua mulher, a arquiteta Lélia, não apenas como companheira de vida, mas também na área profissional.Em março do ano passado, um outro documentário sobre Sebastião Salgado foi exibido em Porto Alegre, “Revelando Sebastião Salgado”, de Betse de Paula. Este longa-metragem teve sua estreia no Festival de Cinema de Gramado de 2013. O fio condutor de ambos os filmes são entrevistas com o biografado, mas é importante ressaltar que os filmes não se repetem, apesar de tratarem do mesmo assunto. Percebe-se que houve um cuidado em abordar diferentes momentos e imagens do artista em cada um dos documentários. Desta forma, pode-se dizer que os dois títulos acabam formando um belo díptico do trabalho de Salgado, ainda que o filme de Betse tenha orçamento e ambição bem mais modestos.
