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Bicho de várias cabeças

Rodrigo Santoro, ao apresentar seu novo filme, "Heleno", no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá, no final de 2011, mostrou entender do que estava falando. Ao lado do diretor José Henrique Fonseca, explicou algo do que se mostra na tela em relação ao mito do futebol brasileiro dos anos 1940, Heleno de Freitas. Não se trata de um f ilme especificamente sobre futebol. O esporte serve de pano de fundo para emoldurar uma história de vida. Com a sedutora fotografia do diretor Walter Carvalho, a produção narra parte dos momentos já adultos do jogador-galã, que marcou a história do futebol, amou o Botafogo, jogou no Boca Juniors e impactou o Rio de Janeiro e o Brasil dos anos 40. A temática é sempre atual: futebol, vivências pessoais de jogador, intensidade no campo e na vida. Não há ali elementos que remetam à infância de Heleno, suas construções familiares, que poderiam criar um universo de explicações para as vivências adultas do jogador. Não foi esta a escolha de roteiro e direção. O projeto foi "abraçado" pelo empresário Eike Batista e pode avançar financeiramente como realização cinematográfica. Aí é que se fez possível. E para chegar ao peso do jogador, que teve sífilis e foi definhando, Santoro "fechou a boca", e encarnou a estatura muscular de Heleno, em seus vários momentos. Do auge até as delirantes situações da doença. E deu muito certo. Heleno surge na tela, nem vilão, nem coitadinho.  Alinne Moraes, como par romântico, não atrapalha a trama. Dá beleza, leveza e não compromete. Angie Cepeda, também linda, forma o trio do romance, criando um clima intenso para o Rio de Janeiro daqueles momentos. Com uma direção de arte elogiável. Na trama,  Santoro se mostra, ao viver Heleno, um ator de múltiplos papéis, longe de caricaturas, das quais tem sabido fugir em sua carreira. Um filme para envolver-se, quadro a quadro, mas sem fanatismos.

Por Marcos Santuario

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