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Boa narrativa para conhecer um mito em "Coco, Antes de Chanel"

Boa narrativa para conhecer um mito em "Coco, Antes de Chanel"

Uma das perguntas que se impõe é: o que Coco Chanel diria da exuberância que beira ao over de seu principal representante contemporâneo, Karl Lagerfeld? Os ares do estilista em nada se parecem com o estilo e as escolhas singulares de Coco, que, ainda menina, dentro de um orfanato, viveu seus momentos de abandono e de insegurança. Destaque para a cena em que vai confiante em busca de uma visita que ela não tem.

A diretora, Anne Fontaine consegue, com sensibilidade e olhar feminino, criar a trajetória que aponta as escolhas e decisões da menina franzina, da mulher aparentemente frágil, e da criadora ousada. A menina surge sempre silenciosa e escondendo o rosto por detrás dos cabelos negros. O mesmo negro que acompanha criações importantes da futura estilista. A frágil e magra garota, Gabrielle Chanel, que viria a ficar conhecida como Coco, é mostrada, cena à cena, com delicadeza e força. Ao crescer, deixa à mostra a capacidade dramática de Andrey Tautou, que, com seus olhos expressivos, ganha o olhar da câmera, e conquista a empatia do público. Os personagens que circundam Andrey, ou Coco, são todos coadjuvantes, assim como o são os que acompanharam as criações daquela que tornou-se um marco na história da moda. Os homens que passaram por sua vida foram colocados à serviço de seus desejos pessoais, econômicos, emocionais e sexuais. Anne deixa isso ainda mais claro com a narrativa dos encontros e desencontros entre os masculino e o feminino, tanto de Coco, quanto dos homens que a circundavam.

Figurinos bem cuidados expõem as escolhas da estilista, apresentados pela diretora como importantes elementos para acompanhar o caminho de vida de Coco, desde que saiu do completo obscurantismo até chegar às luzes da fama em Paris. Bom filme. Necessário para quem quer entender algo mais do mundo mágico e trágico da moda.

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