Contra a censura
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Contra a censura

"Hebe - A Estrela do Brasil" mostra a apresentadora em conturbado momento de sua vida, em meados dos anos 1980

Por
Chico Izidro

Andréa Beltrão interpreta Hebe com extrema perfeição

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Há um bom tempo que a maior parte das cinebiografias deixaram de mostrar toda a vida de uma personalidade - nasceu, cresceu, morreu -, focando apenas em determinado momento da existência da pessoa. É assim que é mostrado "Hebe - A Estrela do Brasil", dirigido por  Maurício Farias, e que abre mão de mostrar toda a trajetória profissional da apresentadora, que inclusive participou da primeira transmissão da televisão brasileira em 1950, pela TV Tupi.

O filme optou por relatar um momento conturbado da vida de Hebe, vivida com extrema perfeição por Andréa Beltrão, que não tentou imitar a voz marcante da apresentadora: o período logo após o término da Ditadura Militar e o alegado final da censura no país. que de fato não ocorreu. Hebe tinha sérios problemas com os censores, pois era defensora ferrenha do movimento LGBT, que à época ainda não tinha esta denominação, e falava o que pensava, sem pudores.

Então "Hebe - A Estrela do Brasil" relata sua saída turbulenta da Bandeirantes, depois que levou ao seu programa a polêmica Dercy Gonçalves e a transexual Roberta Close - Dercy mostrou os seios para todo o Brasil ao vivo e a cores. E também mostra seu relacionamento com o segundo marido, Lélio (Marco Ricca novamente fazendo um personagem machista, ciumento e homofóbico), que não suportava a atenção que ela dava aos convidados, amigos e o enteado Marcelo.

A reconstituição de época é um fator determinante na narrativa, reproduzindo com perfeição penteados, músicas, os figurinos, os carros. Tudo evoca os anos 1980. Mas "Hebe - A Estrela do Brasil" não é um retrato fiel da vida da apresentadora (1929/2012). O próprio filho dela, Marcelo Camargo afirmou que o personagem mostrado no filme não representava a sua mãe, pois ela não bebia uísque, nunca se atrasou para começar seu programa, entre outras liberdades tomadas por Farias. Além do que, para quem não conhece a vida de Hebe, muita coisa fica no ar, inexplicada. Faltou uma edição melhor, apesar da excepcional atuação de Andréa Beltrão.

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