Margareth Thatcher foi uma das figuras políticas mais emblemáticas da segunda metade do Século XX. Integrante do Partido Conservador Inglês, entrou em atritos com os sindicatos locais, derrotou a Argentina na Guerra das Malvinas, escapou de atentados do IRA e, ao lado de Ronald Reagan, foi um dos alicerces para o Ocidente ganhar a Guerra Fria. Além disso, era uma mulher antipática, com um sotaque terrível e dentes tortos. Mas também não fosse ela, Indira Gandhi e Golda Meir, as mulheres talvez não alcançassem o status político dos dias de hoje, vide Dilma Roussef, Angela Merckel e Hillary Clinton.Por isso, "A Dama de Ferro", filme de Phyllida Lloyd, perde excelente oportunidade de se fazer uma cinebiografia condizente com a trajetória desta mulher singular. Que é vivida explendorosamente por Meryl Streep, premiada justamente com o terceiro Oscar de sua carreira por essa interpretação. Só que o filme é uma coisa e a Thatcher de Streep é um elemento totalmente antagônico. Temos em "A Dama de Ferro" uma mulher de seus 80 e poucos anos, esclerosada, e achando ainda estar no comando do governo britânico e conversando com o fantasma de seu falecido marido, Dennis (Jim Broadbent). E em determinados momentos de sobriedade, Thatcher relembra como entrou na política, seguindo os passos do pai, um humilde quitandeiro, e também prefeito de uma cidadezinha do interior da Inglaterra.
Ela também relembra as dificuldades que encontrou para ascender politicamente, devido a sua origem operária (e na juventude, a política é interpretada com competência por Alexandra Roach), Margareth Roberts só conseguiu passar a ser levada a sério após casar com Dennis Thatcher aos 24 anos. E os momentos em que a líder conservadora se sobressai entre os homens são muito bem arquitetados por Phillida Lloyd. Na cena em que Thatcher assume seu primeiro cargo político, a diretora a mostra sendo esmagada por um mar de homens de chapéus. E dá um close em vários sapatos masculinos, mas dando destaque ao sapato de salto alto e colorido de Thatcher. Ou os closes no famoso cabelo armado ou nas unhas compridas de Thatcher, como se ela fosse um leão dominando o território. Porém, a maneira como "A Dama de Ferro" é montado e contado que o faz um filme menor.
Por Chico Izidro
