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De frente para o mal

De frente para o mal

O tema do exorcismo vem e vai no cinema. A referência clássica é o filme de terror "O Exorcista", de William Friedkin (1973), que foi o primeiro e único título de terror a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme e ganhou uma nova montagem no ano 2000, com 11 minutos de cenas extras.

Agora o assunto volta às telas com "O Ritual", com direção de Mikael Håfström e baseado no livro homônimo de Matt Baglio. Desta vez, a temática é abordada de uma forma um pouco mais didática. Acompanha um seminarista norte-americano (interpretado pelo estreante irlandês Colin O’Donoghue) que pensa em abandonar o seminário. Ele recebe um convite para participar de um curso sobre a prática do exorcismo em Roma e resolve aceitar, ainda que hesitante, por insistência de seu superior. Adepto de uma linha racionalista, o jovem acredita que os casos suspeitos de possessão não passam de doenças mentais que devem ser tratadas por psiquiatras. Mas, junto com o espectador, o jovem vai sendo apresentado a situações em que a racionalidade não encontra respostas.
 
Geralmente porque nos casos apresentados como possessões reais no filme, as pessoas não respondem à ação de medicamentos. Apresentam ainda outras características: as vítimas falam línguas com as quais nunca tiveram contato, apresentam voz diferente, força sobre-humana, sabem de segredos de pessoas nunca antes revelados a ninguém e não suportam objetos abençoados. Mesmo frente a casos deste tipo, o jovem custa a acreditar. Desta forma, mais do que um filme de terror, que apresenta, sim, cenas de suspense, trata-se de uma história sobre um conflito de fé, entre acreditar ou não.

A atriz brasileira Alice Braga interpreta uma jornalista que investiga o assunto. Anthony Hopkins interpreta um veterano exorcista, padre Lucas, que passa a ser acompanhado pelo jovem e questionado por ele. Hopkins afirmou que seu papel em "O Ritual" foi o "mais interessante" desde 1991, quando interpretou Hannibal Lecter em "O Silêncio dos Inocentes". A interpretação de Hopkins é sempre eficiente e o novato O’Donoghue se sai muito bem, tendo seu trabalho elogiado publicamente na imprensa por Hopkins. Sem direito a vômito de "sopa de ervilhas", como diz o próprio padre Lucas (como fez a endemoniada do filme de 1973), mas com outros tipos de manifestações malignas, este filme é instigante porque se declara baseado em fatos reais. Nem sempre é preciso ver para crer.

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