De reflexão e tortura
Gostei de ver o filme “Reflexões de um Liquidificador” ao lado do diretor André Klotzel. Foi bom poder tirar dúvidas e ouvir a voz do criador da obra. Já que o filme é também reflexivo, não é so o eletrodoméstico que entra na jogada. O espectador também vai se questionando enquanto se diverte. No filme, Klotzel coloca em cena o roteiro de José Antônio de Souza, Em cena, o eletrodoméstico do título é filosófico e narra sua amizade com Elvira, uma dona de casa que passa por um momento agitado em sua vida. Seu marido, Onofre, desapareceu há alguns dias, e ela decide ir à Policia dar queixa do sumiço. Em meio a reflexões sobre a vida e as diferenças entre os objetos e os seres humanos, o liquidificador é quem conduz a história.
Klotzel convida para reflexão sobre vida e relações, com olhar intenso no que, aparentemente, é comum. Os personagens se modificam, construindo numa trama de humor negro, que vai conquistando o espectador com surpreendentes guinadas. É aí que percebo a mão do diretor, respeitando o roteiro e tratando na tela de conduzir a história sem cortes profundos.
O filme é um dos concorrentes a vaga brasileira para competir ano que vem na disputa do Oscar de Filme Estrangeiro e conta com um elenco bem conduzido e de talento comprovadamente real: Ana Lucia Torre, Germano Haiut, Fabiula Nascimento, Aramis Trindade e o já falecido Marcos Cesana. Há cenas fortes que surgem como picos de emoção, e no final não se percebe que acaba-se fazendo uma opção pela vingança, um peso moral questionável, e quem não atrapalha, naquele momento, a diversão cinematográfica. Não tem muitas chances para a vaga no Oscar, pelo menos em função dos outros concorrentes. Vi quase todos e tenho outras preferências, meu bróder!
