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Decisão de monge

Decisão de monge

O filme HOMENS E DEUSES, com direção de Xavier Beauvois, foi o vencedor do Grand Prix do Festival de Cinema de Cannes 2010 e também recebeu o prêmio ecumênico do mesmo evento. Conta uma história baseada em fatos reais, sobre sete monges franceses que foram ameaçados por fundamentalistas na Argélia em 1996, quando explodiu um conflito no país. Estão no elenco Lambert Wilson e Olivier Rabourdin.

O longa-metragem apresenta um clima reflexivo e silencioso, que faz jus à vida dos religiosos, que se dedicam à oração e ao trabalho. No caso deste grupo, a história mostra que tinham uma boa integração com a comunidade local, participando de algumas celebrações de um vilarejo próximo e auxiliando seus moradores, principalmente porque um dos monges era médico e atendia a população.

Massacres a estrangeiros começam a ocorrer no país por parte de um grupo radical que deseja governar o país. A polícia oferece proteção ao mosteiro, mas o líder dos monges nega a ajuda, por considerar o atual governo corrupto. Na verdade, os monges desejam ficar neutros. Mas o fato de serem franceses na Argélia, um país que já fora colônia francesa no passado, torna os monges, mesmo que eles não queiram, semelhantes a peças em um delicado jogo de xadrez, em que grupos oponentes brigam para estar no poder daquele país.

O drama passa a contar, a partir daí, com uma tensão proveniente do fato de que, a qualquer momento, o mosteiro poderá ser invadido. Os religiosos apresentam seus pontos de vista e procuram chegar a uma decisão sobre uma questão: fugir da Argélia enquanto há tempo, ou ficar e tentar, de alguma forma, apoiar a população.

 "Não somos governados por armas", argumenta um. "Ficar pode ser um suicídio", argumenta outro. Este jogo de forças leva a um questionamento sobre até que ponto vale a pena lutar pelos princípios em que se acredita. Concordando ou não com sua fé, se percebe que a atitude dos monges é a de quem procura ser autêntico em qualquer circustância. A solidariedade mútua também torna o cotidiano dos consagrados um pouco mais tênue e, apesar de se oporem uns aos outros em alguns momentos, se percebe que prevalece a democracia para a tomada das decisões mais importantes. Um filme para ser visto sem pressa.

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