
O filme “Paris 8”, dirigido por Jean-Paul Civeyrac é uma delícia cinematográfica, histórica e estética. O cerne da questão fílmica está nos personagens que estudam cinema em Paris, e compartilham a paixão pelos filmes. Ao apresentar a história de Etienne (vivido por Andranic Manet), o diretor mostra as facetas humanas e sociológicas de um jovem que se muda para Paris para estudar na Sorbonne. O enfoque nas amizades faz o filme tornar-se ainda mais intenso, incluindo as presenças de Mathias (Corentin Fila) e Jean-Noël (Gonzague Van Bervesselès). O passar do tempo é bem apresentado junto aos enfrentamentos do amor e da amizade, além das batalhas artísticas que cada um deles vai encontrando a frente.
A experiência pessoa de Civeryac, que estudou em La Fémis, onde dirigiu o departamento de direção de lá, e ensinou na Universidade Paris 8, revela a intimidade com a temática dos estudantes de cinema. Daí a mescla de experiências reais com o universo ficcional. As referências que vêm à tona revelam a veracidade de vida e podem gerar a empatia necessária para deixar-se envolver no clima proposto pela obra. Um elenco formado, praticamente por desconhecidos, sem dúvida ajudou o diretor a encaminhar o projeto, sem grandes vaidades e travas.
A forma de episódios que a trama se dá gera, em cada sequência, uma nova possibilidade dramática. A temática envolve ainda um triângulo amoroso e se caracteriza também por deixar de lado as questões mais ligadas ao universo tecnológico da sociedade contemporânea da Paris do século 21. Para deleitar-se.
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