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Desacelerando o tempo



O novo e quinto filme do diretor Terrence Malick, "A Árvore da Vida", traz um viés filosófico por trás de uma narrativa que se passa nos anos 50 em uma pequena cidade no Texas, refletindo sobre temas como vida e família. O diretor cria um caleidoscópio do íntimo e do cósmico, desde as emoções de uma família às fronteiras infinitas do tempo e do espaço; da inocência de um menino aos encontros transformadores com o medo e a transcendência.

Esta história impressionista parte de uma família do Meio-Oeste americano, seguindo, em especial, a jornada do filho mais velho, Jack (Hunter McCracken, quando menino), até a fase adulta (representado por Sean Penn). Conforme explica o texto de divulgação do próprio filme, Jack é uma alma perdida no mundo moderno em busca de respostas sobre a origem e o significado da vida, ao mesmo tempo em que questiona a existência da fé.

O pai de Jack é interpretado por Brad Pitt, um homem que alterna momentos de atenção aos filhos com brutalidade. Quer ensinar seus garotos a serem fortes, a dominarem a natureza, mas, como diz em determinada cena, queria ser músico e não foi. Não fica claro se por esta frustração ou simplesmente por querer "preparar" os filhos para a vida abusa da rigidez. E, desta forma, gera uma reação agressiva nos filhos.

Uma das boas surpresas nas atuações do filme é a da atriz Jessica Chastain, ainda desconhecida do grande público. Ela vive a mãe de Jack e encarna o lado terno e luminoso da família. Transmite, ao contrário do pai, afeto e tranquilidade.

Terrence Malick sempre criou filmes provocadores, com visual intenso e emoções instintivas, e cada um oferece uma experiência distinta repleta de mistério. Seus filmes anteriores são "Terra de Ninguém", "Cinzas no Paraíso", "Além da Linha Vermelha" e "O Novo Mundo". Este seu filme mais recente, "A Arvore da Vida", ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes (França) neste ano.

O espectador desavisado pode estranhar o estilo de Malick. Em "A Árvore da Vida", ele alterna cenas da narrativa da família de Jack com imagens (belíssimas, por sinal) do universo, do desenvolvimento da vida no planeta Terra, da força da natureza. É um filme que convida à contemplação e à reflexão. Mas pode também se tornar um tanto cansativo. De qualquer maneira, Malick conseguiu criar um estilo único. Em suas obras, se tem uma noção desacelerada do tempo. Por vezes pode se ter a impressão de que o diretor busca uma espécie de paraíso perdido, o que pode ser um lugar ou um estado de espírito diferente para cada pessoa.

Por Adriana Androvandi

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