Desastre não virtual
"Gamer" é um daqueles filmes que parte de uma premissa interessante e atual, mas erra na execução. Este longa-metragem, dirigido por Mark Neveldine e Brian Taylor, chega em DVD. A história se passa em um futuro não tão distante, em que um revolucionário videogame on line se torna a mais popular forma de diversão da humanidade. Semanalmente, milhões de internautas assistem condenados lutando para sobreviver como se fossem personagens virtuais do jogo. Só que são pessoas reais que recebem uma espécie de chip no cérebro que comanda seus corpos. Kable (Gerard Butler) é um destes prisioneiros e se torna a grande estrela da competição, cujo único objetivo aparente é matar para não morto. Para o internauta, Kable é um mero avatar, mas, para um grupo de resistência ao domínio do empresário dono do jogo, ele pode se tornar a peça chave para acabar com essa carnificina. No meio dessa batalha, e sob o comando de um adolescente rico que dirige seu avatar, Kable terá que usar todas suas habilidades extravirtuais para vencer o jogo e derrubar o sistema. E o grande trunfo de Kable no game é usar o "delay" a seu favor.
O protagonista, Gerard Butler, é um ator que vem crescendo em fama e ganhou novos holofotes desde a nova adaptação de "O Fantasma da Ópera" (2004) e se firmou como um astro de ação com seus músculos bombados como o rei Leônidas em "300" (2006). Mas nem seu charme, sua força ou seus belos olhos azuais salvam o filme.
A história de condenados à morte que ganham uma chance à liberdade participando de campeonatos mortais não é nova. Já foi tema de filmes como "Corrida da Morte - Ano 2000", de 1975, que ganhou uma refilmagem recente com "Corrida Mortal", de 2006, com Jason Statham como protagonista, em que presos participavam de corridas de carro e quem sobrevivia poderia sair da prisão. Em "Gamer", o argumento é praticamente o mesmo, apenas o ambiente ganha uma nova roupagem tecnológica. Com o sucesso dos games, o uso de seres humanos como avatares é um bom ponto de partida para o filme. Mas o roteiro é confuso, atordoando o espectador com tantas idas e vindas que por fim não se sabe se a cena está ocorrendo no meio virtual ou real da história. O ritmo excessivamente acelerado pode ser excitante para quem pilota um game, mas não para quem está no cinema. Considero um dos piores filmes exibidos nos cinemas em 2009.
