Deserto feminino
FLOR DO DESERTO, a biografia da somali Waris Dirie, que assim como diversas outras garotas africanas foi vítima da circuncisão, com apenas três anos de idade, chega às telas para tratar com realismo e, por vezes, um toque de novela das oito, um tema que se tornou global. Trata-se de uma prática na qual o pai manda arrancar o clitóris das filhas para que elas não tenham prazer. O filme trata bem a questão da temporalidade. Vai ao futuro e volta ao passado com uma boa leveza, que cria ainda maior vínculo com o desenrolar da trama. Da menina sofredora até a Waris, já adulta, que virou um símbolo mundial, o drama é construído com o olhar na realidade, sob a direção feminina de Sherry Horman, uma realizadora norte-americana nascida nos anos 60.
Por este olhar, um acontecimentos dos lugares mais distantes se tornam discussão local. Do momento em que surge na tela a menina Waris que atravessa a pé o deserto em que nasceu e vai até Mogadício, percebe-se o tom totalmente humano da trama. Um olhar importante sobre o ser mulher, com suas diferenças entre Ocidente e Oriente... O filme acaba como a vida de Waris, para o mundo, começa: em pronunciamento na ONU. Com realidade do começo ao fim, a trama só se perde em alguns momentos meio novelescos... mas será que, as vezes, a vida da gente não é uma novela mesmo::??
