Direção perigosa

Direção perigosa

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Incansável. Esta parece ser a tônica da atriz Angelina Jolie, que ataca agora como diretora em seu segundo drama em longa metragem (o primeiro foi "Na Terra do Amor e Ódio", com  luta nos Bálcãs dos anos 90). A bela agora apresenta a história do filho de imigrantes italianos, o norte-americano Louis Zamperini (1917-2014), garoto rebelde, atleta olímpico, soldado e sobrevivente de várias situações limite, incluindo uma "estadia" em campo de prisioneiros japonês, durante a Segunda Guerra Mundial.  Quem vive o papel principal é o novato inglês Jack O"Connell (já visto na série "Skins") e que parece seguir bem as ordens da diretora. O olhar de Angelina transita desde a infância difícil e problemática do garoto na cidade de Torrance, na Califórnia, salvo do "mau caminho" pelo irmão que o incentiva aos esportes, até seus momentos pós guerra. Louis torna-se um excelente corredor e vai parar nas Olimpíadas. Ponto alto do filme é a recriação da edição polêmica, na Berlim nazista de 1936, em que brilhou  o atleta negro Jesse Owens contra o discurso de supremacia ariana de Adolf Hitler. A câmera de Jolie foca o local, a bandeira nazista e o cumprimento do jovem Zamperini ao atleta negro. Tudo registrado à exaustão. Aliás, o excesso é a marca de Jolie neste trabalho. Excesso de explicações, cenas desnecessárias que só alongam o tempo do filme e que, por isso  parece interminável. Há bons momentos, mas falta o corte corajoso de uma direção que deixe de fora o que não é essencial. A trama já é complexa por si só, repleta de elementos que podem seduzir o espectador sem a necessidade do exagero, das explicações que se repetem e do alongamento de cenas. Por exemplo, as cenas em que o jovem e os soldados e amigos Phil (Domhnall Gleeson) e Mac (Finn Wittrock) estão à deriva no oceano parece que não cabar nunca, e que vamos afundar com eles e com o filme. E os momentos que seguem, amparados no trágico realismo baseado na biografia homônima de Zamperini escrita por Laura Hillenbrand, são intensos, mas também poderiam ter sido reduzidos no tempo para ganhar, ainda mais, na intensidade. Na outra parte do filme surgem o oficial Fitzgerald, vivido por Garrett Hedlund  (de "Na Estrada"), junto a um exército de extras sofredores, tiranizados pelo  sargento Watanabe (o roqueiro japonês Miyavi). Os japoneses surgem como vilões, com o roteiro do filme assinado pela dupla de diretores Joel e Ethan Coen e dos experimentados Joel e Ethan Coen e outros. No final ficaum sentimento de que a vida de Zamperini vale realmente um filme. Mas, talvez, não esse. Pois cansa.

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Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895