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Dramas femininos

O filme “O Que se Move”, primeiro longa-metragem do paulista Caetano Gotardo, foi recebido calorosamente pela crítica na sua exibição no Festival de Cinema de Gramado do ano passado. “É um filme feminino”, definiu a produtora do longa, Sara Silveira, gaúcha radicada em São Paulo.
A trama, dividida em três partes, foca a história de três mães e suas perdas. As histórias partiram de casos reais, mas não têm a pretensão de serem documentais. Serviram apenas de inspiração para o roteiro. O primeiro é sobre uma mãe (Cida Moreira), professora a caminho da aposentadoria, que é impactada com a reação de seu filho ao ser descoberto visitando sites de pedofilia.
Outro caso é o de um pai que esquece seu filho no banco de trás de carro ao ter alterado sua rota diária. O encontro com a mãe da criança (Andrea Marquee) é marcado pela culpa.
O terceiro episódio é baseado no caso real divulgado em 2002 de Pedro Braule Pinto, conhecido como Pedrinho de Goiânia, que foi roubado ainda bebê na maternidade e encontrado 16 anos depois pelos pais biológicos. “O que me interessou neste último caso foi o momento do reencontro, da mãe que revê o filho 16 anos depois de tê-lo perdido e se dá conta do vazio que nunca poderá ser preenchido”, disse o diretor.
O diferencial do filme está também em seu formato. As histórias parecem um tanto confusas a princípio. Mas a compreensão plena em cada núcleo se dá quando cada uma das atrizes canta uma música, o que destaca suas habilidades vocais e injeta nas cenas uma alta densidade dramática. Para estas cenas, é bom levar um lencinho ao cinema.
O filme é protagonizado por Cida Moreira (mais conhecida como cantora), Fernanda Vianna e Andrea Marquee. No Festival de Cinema de Gramado 2012, quando Fernanda Vianna ganhou sozinha o troféu de Melhor Atriz, houve quem achasse uma injustiça, como o próprio diretor, que disse que as três formavam o conjunto do filme e, por isso, as três deveriam ter dividido igualmente a premiação. A crítica em geral também concordou com o diretor. Resumindo, é um filme triste, mas, ao mesmo tempo, belo.

Por Adriana Androvandi
 

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