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Emoção Familiar e musical

O filme “Gonzaga de Pai para Filho” conta a história do relacionamento de dois grandes

nomes da música nacional que eram pai e filho, mas tinhas estilos e histórias bem

diferentes. A direção é de Breno Silveira, que mostra saber reunir música e biografias, como já fez com

sucesso em "Dois Filhos de Francisco" (sobre Zezé de Camargo e Luciano). Agora ele conta

a vida de Luiz Gonzaga, considerado o “rei do baião”. Nascido pobre em um cidade do

Nordeste, vai tentar a sorte Rio de Janeiro. Lá conhece sua primeira mulher, Odaleia

(Nanda Costa). Com ela tem o filho Gonzaguinha (1945 - 1989), que também se tornaria

uma das maiores vozes da música brasileira.
Na infância, Gonzaguinha teve a desventura de perder a mãe por tuberculose. Como

Gonzagão vivia viajando em turnês Brasil afora, o menino é criado por um casal de amigos

e depois é colocado em um colégio interno. Isso faz com que tenha uma sensação de

abandono e um profundo ressentimento com o pai. O filme enfoca, justamente, o processo

de reconciliação de ambos.
“Gonzaga de Pai para Filho” é um bom filme. Mostra não apenas uma história de emoção

familiar, mas faz um passeio por parte da cultura brasileira, em especial a que Gonzagão

levou do Nordeste ao resto do país. O diretor obteve um trabalho de elenco que apostou em

nomes desconhecidos, mas que se encaixavam bem no perfil de Gonzagão. São eles Land

Vieira na juventude, quando vivia na cidade nordestinade Exu; Chambinho do Acordeão vive

o personagem na fase adulta, em que vive no Rio de Janeiro; e Adélio Lima na maturidade.

Adélio, o mais velho deles, foi encontrado no Museu Luiz Gonzaga em Caruaru, a Capital

do Forró, onde trabalhava e já vivia de ser cover do mestre do baião. Para viver o papel,

Adélio teve de engordar para parecer mais velho.
Mas o que mais surpreende nesta produção é a brilhante atuação do ator Júlio Andrade,

que faz Gonzaguinha na idade adulto. O ator é gaúcho, mas está radicado em São Paulo.

Júlio consegue encarnar o cantor de forma surpreendente. Em entrevista ao Correio do

Povo, Andrade diz que sempre foi fã de seu personagem. “Minha primeira memória do

Gonzaguinha é de meu pai me mostrando um disco dele. Antes de ser ator, aos 16 anos,

fui músico e meu repertório incluia o Gonzaguinha”, diz Andrade.
Por isso, o ator revela que, ao saber do projeto do filme, há 5 anos, foi atrás do papel. Fez

um teste. Nele, o diretor achou que estava diante de um sósia de Gonzaguinha.
A caracterização do personagem também ajudou. Júlio, que tem os cabelos lisos, usou

uma peruca crespa para ficar semelhante a Gonzaguinha. O acessório ficou natural, ou

seja, não se percebe que é uma peruca. “Isso foi trabalho do mestre Martín”, explica

Andrade, dando crédito ao responsável pela maquiagem.
Já a barba é do próprio ator. “Isso eu tenho em comum com Gonzaguinha, a barba

falhada”, diz Andrade.
A veia de cantor de Andrade pode ser vista na cena em que seu personagem canta ao

violão na beira de um lago. O gaúcho se diz muito satisfeito com o projeto. “Foi uma junção

de coisas lindas”, definiu. E ele já começa a trabalhar em um outro filme nacional, sobre

Serra Pelada.
 Por Adriana Androvandi

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