Faltou brilho
"Amanhecer - Parte 1" é o quarto filme da saga "Crepúsculo". Nele acontece um dos fatos mais aguardados desse romance, o casamento da humana Bella (Kristen Stewart) e do vampiro Edward (Robert Pattinson). Mesmo indo assistir com boa vontade, o filme decepciona. Entre as várias razões para isso está a falta de coerência da narrativa. Um exemplo: no primeiro filme da franquia, Edward faz um suspense para chegar ao pico de uma montanha com o objetivo de que Bella o veja "como ele realmente é", o que só é possível à luz do sol. O público desavisado poderia esperar que aparecesse um monstro ou um ser horripilante. Mas não é o caso. Edward, sob os raios solares, tem sua pele brilhando como diamantes. Depois dessa lembrança e retornando ao quarto episódio: a lua-de-mel do casal é no Brasil. Em um país tropical, em nenhum momento Edward "brilha". E casualmente só aparecem dias nublados em solo brasileiro. Para uma saga que tem um orçamento cada vez mais polpudo, não custaria colocar um efeito desse tipo, um detalhe que cria ligação com os títulos anteriores.
Esta falta de cuidado e a limitação dramatúrgica do elenco tornam o filme vazio e um tanto previsível. Por fim, Bella engravida de um "vampirinho" que começa a sugar todas as suas energias. Aqui o filme apresentou efeitos com mais vigor, exibindo Bella esquálida e abatida. As cenas do parto são mais fortes e podem assustar crianças que por um acaso entrarem na sessão, apesar de a classificação ser de 14 anos.
Há um segmento de fãs e mesmo da crítica especializada que atribui a Jacob (Taylor Lautner), o jovem lobisomem, o que de melhor há em "Amanhecer - Parte 1". Discordo. Jacob parece um menino mimado que perdeu seu brinquedinho ao ver que sua amada se casou com seu arqui-inimigo.
Um elemento que não fica explicado no filme é o que significa ter um "impriting" com alguém (o que suponho, já que não li o livro, deva ser uma conexão espiritual e afetiva). Visto que nem todos os espectadores devem ter lido os livros de Stephenie Meyer, inspiradores dos filmes. Seria melhor aparecer um diálogo que explicasse melhor essa linguagem própria da saga.
Um dos problemas maiores está, portanto, na direção de Bill Condon (2011). Cada filme da série teve um diretor diferente: Catherine Hardwicke no primeiro, "Crepúsculo" (2008); Chris Weitz no segundo, "Lua Nova" (2009); David Slade no terceiro, em "Eclipse" (2010). Mas, na minha opinião, ninguém foi melhor do que Catherine Hardwicke no primeiro (2008). Catherine Hardwicke já dirigiu outros filmes tendo adolescentes como protagonistas, como "Aos Treze" (2003) e "Os Reis do Dogtown" (2005) e parece ter o pulso firme para dirigi-los. Portanto, é uma pena que uma série com potencial tenha sido executada com menos qualidade do que poderia.
PS: Espere o final dos créditos ao término do filme. Há uma cena com membros da família Volturi.
Por Adriana Androvandi

