Um dos filmes de destaque da recente safra brasileira é “Casa Grande”, de Fellipe Gamarano Barbosa (115 min). Premiado em vários festivais (Melhor Filme pelo Júri Popular no Festival do Rio e Melhor Filme no Prêmio da Crítica pela Abraccine na Mostra Internacional de São Paulo, entre outros), este longa-metragem faz um mordaz retrato dos abismos entre as classes sociais no Brasil através do microcosmo de uma família de elite. Apresenta, desta forma, os contrastes da sociedade brasileira, escancarada na geografia do Rio de Janeiro, em que condomínios de luxo dividem a paisagem com as favelas. A história acompanha um adolescente rico, Jean (Thales Cavalcanti), que vê sua família, pouco a pouco, falir. Seu pai (Marcello Novaes), um executivo, tenta esconder a situação dos filhos e da sociedade. Os sinais se mostram com a demissão de empregados domésticos e o constante cuidado com gastos, como a conta da luz por exemplo. Mas o filme vai além. Questiona as relações afetivas de empregados, patrões e seus filhos. O garoto conversa mais com o seu motorista sobre sua curiosidade sexual do que com o próprio pai. Como pessoas de realidades tão diferentes convivem e se cruzam é um dos pontos-chave do drama. E o amadurecimento próprio da idade do protagonista converge com o choque com uma realidade a qual nem ele nem sua família tinham vivido até então. "Casa Grande" é uma produção inteligente, com a escolha de cenas muito felizes para representar justamente aquilo que não é dito com palavras, mas com imagens que falam por si.
Grande filme
Um dos filmes de destaque da recente safra brasileira é “Casa Grande”, de Fellipe Gamarano Barbosa (115 min). Premiado em vários festivais (Melhor Filme pelo Júri Popular no Festival do Rio e Melhor Filme no Prêmio da Crítica pela Abraccine na Mostra Internacional de São Paulo, entre outros), este longa-metragem faz um mordaz retrato dos abismos entre as classes sociais no Brasil através do microcosmo de uma família de elite. Apresenta, desta forma, os contrastes da sociedade brasileira, escancarada na geografia do Rio de Janeiro, em que condomínios de luxo dividem a paisagem com as favelas. A história acompanha um adolescente rico, Jean (Thales Cavalcanti), que vê sua família, pouco a pouco, falir. Seu pai (Marcello Novaes), um executivo, tenta esconder a situação dos filhos e da sociedade. Os sinais se mostram com a demissão de empregados domésticos e o constante cuidado com gastos, como a conta da luz por exemplo. Mas o filme vai além. Questiona as relações afetivas de empregados, patrões e seus filhos. O garoto conversa mais com o seu motorista sobre sua curiosidade sexual do que com o próprio pai. Como pessoas de realidades tão diferentes convivem e se cruzam é um dos pontos-chave do drama. E o amadurecimento próprio da idade do protagonista converge com o choque com uma realidade a qual nem ele nem sua família tinham vivido até então. "Casa Grande" é uma produção inteligente, com a escolha de cenas muito felizes para representar justamente aquilo que não é dito com palavras, mas com imagens que falam por si.
