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Homem com H

Jesuita Barbosa interpreta Ney Matogrosso no filme 'Homem com H'
Jesuita Barbosa interpreta Ney Matogrosso no filme 'Homem com H' Foto : Marina Vancini / Divulgação / CP

O ator Jesuíta Barbosa interpreta Ney Matogrosso no filme “Homem com H” em uma performance surpreendente. O longa-metragem acompanha a intensa trajetória de vida e obra do cantor. Batizado como Ney de Souza Pereira, o artista cresceu em uma atmosfera que teve tudo para abafar a sua carreira artística. Nascido na pequena cidade de Bela Vista (MS), cresceu com a família em uma vila militar.

O pai (Rômulo Braga), que era sargento, não gostava de vê-lo ainda menino desenhando ou mostrando qualquer tendência artística, sendo punido com violência ou obrigado a fazer tarefas pesadas. Conforme divulga a própria equipe do filme, o pai insistia que o garoto “virasse homem”. A pressão foi tanta que levou Ney a sair de casa aos 17 anos para seguir seu próprio caminho. Segundo diz o diretor Esmir Filho: “Toda a repressão que Ney sofreu do pai fez aflorar esse ser livre. Ele diz que muitas escolhas que fez na vida foram para contrariar a vontade do pai”.

Ironicamente Ney se alista na Aeronáutica após sair de casa, como opção de sobrevivência e “para não se casar”. Depois morou em diferentes cidades, como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, com alguns empregos temporários, fazendo artesanato e vivendo em casas que dividia com outras pessoas. Participou de um coral, no qual foi elogiado pelo regente. Fez teatro e, por um tempo, o seu sonho era ser ator.

Sua entrada profissional na música ocorreu quando conheceu João Ricardo (Mauro Soares) e Gerson Conrad (Jeff Lyrio), que estavam montando um grupo e procuravam um cantor de voz aguda. O filme tem muitas cenas emocionantes e uma delas é justamente o primeiro encontro informal dos músicos que se tornariam os integrantes da banda Secos e Molhados. Os momentos remontam ao germinar do fenômeno que se tornaria o grupo, com os primeiros acordes da canção “Rosa de Hiroshima”. E a música “Sangue Latino”, que seria o título do disco histórico que o grupo lançou em 1973.

Apesar de não ser citado explicitamente no filme, Ney Matogrosso já falou em entrevistas que se inspirou no Kabuki, teatro japonês em que se utiliza maquiagem, para criar sua persona no palco. Nos figurinos, fez escolhas que chocaram, como uso de penas, referências a animais e adornos em metal. A banda teve um sucesso meteórico, mas os integrantes se desentenderam pouco tempo depois.

Após o período com o grupo, Ney vai seguindo sua carreira solo, sempre apostando em roupas com brilhos e paetês e muita dança no palco. Enfrentou censores, mas mantinha sempre a altivez. Este drama também aborda relacionamentos do artista, incluindo com Cazuza. O filme tem cenas ousadas, como se poderia esperar em relação ao artista.

A montagem flui com sequências extasiantes de shows, premiando os fãs com canções icônicas da carreira do músico, alternando com períodos de dificuldades pessoais do artista.

Vale destacar a atuação do ator pernambucano Jesuíta Barbosa, que já era reconhecido na dramaturgia brasileira (fez filmes como ‘Malsartes e o Duelo com a Morte’, ‘Praia do Futuro’ e ‘Tatuagem’, entre outros trabalhos), mas chega agora a um outro patamar, inclusive nas impressionantes performances de palco.

A direção de Esmir Filho se mostra sensível e ao mesmo tempo dinâmica. E as escolhas para mostrar passagens de tempo são simples, mas precisas. É um filme digno de seu biografado.

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