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Homenagem a "Bela da Tarde"

Homenagem a "Bela da Tarde"

O diretor de cinema mais velho do mundo em atividade, o português Manoel de Oliveira, de 101 anos, faz um tributo ao diretor e roteirista Luís Buñuel e ao roteirista Jean-Claude Carrière, que assinaram o filme "A Bela da Tarde", polêmica obra de 1967. Oliveira resgata dois personagens do filme original e os revive, 38 anos depois, em "Sempre Bela", inspirado em livro de Joseph Kessel.

Ambientado em Paris, SEMPRE BELA apresenta uma fotografia que valoriza os recantos e a paisagem da "cidade-luz". A mulher loira da história, Séverine (Bulle Ogier), é agora uma senhora, mas quando jovem tinha uma tara: gostava de trair o marido. No filme de 67, a personagem foi eternizada por Catherine Deneuve. Ela amava o marido à sua maneira, mas era adepta de práticas sexuais pouco usuais. O protagonista de SEMPRE BELA, Husson (Michel Piccoli), detém um segredo de crucial importância para o estado de espírito de Séverine. Após muitos anos sem encontrar a adúltera, ele a vê durante uma ópera. Tenta segui-la, mas a perde de vista. Passa a buscar pistas e a seguir seus rastros. Mostra por ela uma admiração que beira à obsessão.

Ao saber que ele está na cidade, ela tenta evitá-lo. Mas, finalmente, quando se reencontram, ele atrai sua atenção para revelar o tal segredo. Séverine quer saber o que ele havia contado para o seu marido, quando este estava mudo e paralítico, se contou sobre as traições dela. É uma situação tensa. Ele satisfaz seu sadismo nessa vingança particular contra a mulher.

Há uma cena que tem tudo para se tornar antológica: o casal passa um longo período em silêncio durante um jantar servido com todo requinte francês. Esta é uma característica do filme: usa as imagens para contar situações, sem precisar de diálogos. SEMPRE BELA é um filme sobre os ocasos. Retrata pessoas maduras que não lidam bem com o passado. Também é um filme contemplativo, que caminha em ritmo lento. Para ser visto sem pressa.

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