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Horror trash com boas doses de humor em DVD

Horror trash com boas doses de humor em DVD


Na trama de “Arraste-me para o Inferno”, cujo roteiro foi escrito pelo diretor e seu irmão, Ivan, uma jovem, Christine Brown (Alison Lohman), é funcionária de um banco e deseja ser promovida. Mas percebe que seu colega de função, que foi recém contratado, tem um comportamento mais agressivo e competitivo, o que agrada mais a seu gerente, que o está colocando na lista de preferência para o cargo vago. Quando chega à sua mesa uma velha cigana, a senhora Ganush (Lorna Raver), para pedir um empréstimo para estender sua hipoteca, Christine se faz de durona para impressionar o chefe e nega o pedido. Ela só não esperava que a mulher fosse uma espécie de bruxa, que lhe joga uma praga: "Lâmia".

Ivan Raimi escreveu, à epoca em que o filme chegou aos cinemas, o que significa Lâmia. É uma maldição que já foi imaginada como inúmeras encarnações em diversas culturas – de uma deusa grega que se tornou assassina quando Hera roubou seus filhos até um ogro canibalista ou uma criatura com aspecto de centauro – mas as histórias têm um traço em comum. Uma coisa que as lendas compartilham é que Lâmia é um demônio que, após três dias de rogada a praga, arrasta suas vítimas gritando para o inferno.

Desta forma, depois do encontro no banco com a cigana, Christine passa a ser atormentada por um espírito do mal, o que atrapalha seu relacionamento com o namorado, um professor vivido por Justin Long. O filme não conta com um elenco do primeiro escalão de Hollywood, mas isso realmente não se faz necessário, visto que o que mais importa é a história, que apresenta um roteiro bem amarrado e ganha propositadamente ares de filme B, feito com baixo orçamento.

Enquanto a protagonista literalmente perde os cabelos para se livrar da praga, o filme mescla cenas de horror, trash e humor. O horror está nos sustos, nos barulhos ouvidos enquanto Christine está sozinha em casa, nos sacrifícios de animais e nos momentos em que o espírito se manifesta de forma violenta. O trash se percebe em momentos bizarros, como a cena em que a velha cigana tira as dentaduras repletas de baba e as coloca na mesa da bancária enquanto é atendida no banco ou em uma briga braçal entre as duas com direito a mordidas e uso de um grampeador de escritório. Já o humor aparece em certas trapalhadas entre as tentativas de se livrar da maldição. Entre elas, fazer com que o espírito de Lâmia encarne em uma cabra. Isso acontece, mas a partir de então a cabra passa a falar!

Apesar de o filme se mostrar despretensioso, não deixa de mostrar o que muitos norte-americanos gostariam de fazer com o sistema financeiro que os fez perder suas casas na crise iniciada no ano passado, fazendo com que tenham de morar em carros e barracas. Se fosse possível, haveria muitos especuladores amaldiçoados pelas terras do Tio Sam. Por isso, o filme de Raimi não deixa de ter um quê de vingança catártica do que seu povo viveu.

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