Cine CP

Juventude artificial

Filmes que tratam sobre o universo contemporâneo da juventude tendem a gerar polêmica. No caso de "Paraísos Artificiais", que esá em cartaz, a proposta do diretor Marcos Prado traz mais elementos para a discussão. Com locações bem selecionadas em Pernambuco, Rio de Janeiro, Maceió e Amsterdam, o filme trata de vivências de uma adolescência envolvida em experiências fortes, sensações e descobertas, em seu processo de amadurecimento. As imagens, capturadas pela lente de Lula Carvalho, concederam prêmio na categoria Melhor Fotografia ao filme, no recente Cine PE, em Recife.

A leitura da trama não é complexa. Está pensado para atrair, sobretudo, o público retratado na tela.  Traz a história de Erika (vivida com talento por Nathalia Dill), uma DJ de relativo sucesso que é muito amiga de Lara (intensamente personificada por Lívia de Bueno). O filme começa pelo final, denunciando já a contemporaneidade dos próprios personagens. Logo, vai para um festival de música na praia, onde a vida dos personagens principais se cruza para sempre. Erika se apresenta na festa rave como DJ e, com Lara conhece Nando (Luca Bianchi). Juntos, vivem um momento intenso e, no universo do "ficar", logo em seguida o trio se separa. Anos depois, Erika e Nando se reencontram em Amsterdã, onde se apaixonam, sem que o rapaz lembre do passado dos dois. Em cena, raves, sexualidades, experiências com drogas sintéticas, sonhos de amor e ilegalidades contados de forma não linear, onde os tempos dos fatos são apresentados num vai e vem das vivências dos personagens. Uma dinâmica que já´é o próprio retrato da atualidade destes grupos. Se envontar a fragmentação contemporânea, sentida, também, no universo juvenil. Nathalia e Lívia dão tom à trama com forte exposição de sensações individuais. Sons e imagens compõem o universo das buscas juvenis vivenciadas no filme... problematização familiar e tráfico de drogas internacional, no universo das relações do mundo líquido ou pós moderno.

Por Marcos Santuario

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