A gordinha Melissa McCarthy, do seriado obeso Mike and Molly, leva novamente o seu humor apelativo para o cinema com “Uma Ladra Sem Limites”, dirigido por Seth Gordon. Ela vive Diana, vigarista que falsifica o cartão de crédito de um executivo meio pé de chinelo de uma grande empresa financeira, chamado Sandy (Jason Bateman, de "Hancock"), ou seja, um nome de mulher.O cara, com duas filhas pequenas, a mulher grávida, começa a ver a vida virada do avesso por causa das trampas de Diana, que estoura o limite da conta dele. Sandy vai preso, corre o risco de perder o emprego, afinal como trabalha com investidores, estes desconfiam de sua identidade. O jeito é Sandy correr atrás da gordinha malandra, e fazer com que ela desfaça o mal-entendido, e ele poder ter sua vida de volta.
A partir do momento em que o Sandy verdadeiro encontra a Sandy falsa, “Uma Ladra Sem Limites” vira um road-movie, repleto de incoerências, furos de roteiro e autopiedade com a ladra. Afinal, Diana se veste e se pinta com exagero, come desajeitadamente, é alvo de zombarias das mulheres magras, e é solitária. E apesar de ser esperta e viver de certo modo confortavelmente por causa de suas falcatruas, Diana é uma looser. E dê-lhe piadas escatológicas. Chega a ser insuportável as cenas em que ela ronca, vomita, baba, tropeçar e cair, e transar com, claro, um cara gordo. E na finaleira, “Uma Ladra Sem Limites” apela para os sentimentalismos mais baratos do espectador. A ladra, afinal, tem um bom coração e tudo o que ela queria, afinal de contas, era uma família.
Encerrando, como explicar que um dos personagens seja mordido no pescoço por uma cobra venenosa e saia caminhando, na maior tranquilidade? Ou Sandy e Sandy chegarem a uma cidade num domingo, e irem aplicar um golpe numa empresa em que todos os funcionários estão trabalhando na maior tranquilidade?
Por Chico Izidro
