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Longe do folclore brasileiro

Quando é que você parou de acreditar nas suas tradições infantis? O Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa? Ainda hoje em dia com toda a tecnologia e a maturidade da petizada chegando mais cedo, a inocência ainda tem seu espaço. E é disso que trata o delicado "A Origem dos Guardiões",  animação dirigida por Peter Ramsey, de "Monstros vs. Alienígenas". Nele, a criançada de uma pequena cidade americana curte sua infância alegremente. Todos têm seus sonhos tranquilos e sem preocupações. E nestes detalhes é que encaixam-se as características de quatro personagens característicos - o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa, a Fada do Dente,
aquela que deixa uma moeda embaixo do travesseiro em troca de um dente que caiu, e o Sandman, o mestre dos sonhos. Mas uma dessas lendas se sente esquecido, o brincalhão Jack Frost, mestre da neve e do frio, e cuja existência é ignorada pela criançada. Isso faz dele um ser depressivo - e este detalhe permeia quase todo o filme. Querendo não passar apenas de uma citação dos pais para os filhos: "Cuidado com Jack Frost". Jack vai se unir as outras lendas na luta
contra o boogie-man,  ou para nós o bicho-papão, ser que considera-se menosprezado, e que deseja impor o pavor entre as crianças, e fazer com que elas deixem de
acreditar em seus mitos de infância. "Eles acreditam em mim, mas não me temem", reclama o vilão. "A Origem dos Guardiões", apesar de cativante e tocante,
está muito longe do folclore brasileiro. Tirando  Papai Noel, aqui um homenzarrão mais parecendo um viking e empunhando duas espanhas, e o Coelhinho, vitaminado e com jeito de lutador de MMA, os outros guardiões fazem parte unicamente do imaginário anglo-saxão. Se bem que no Brasil já se comemora Halloween e nosso Natal não tem neve...
Por Chico Izidro

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