O filme “Mambembe”, de Fabio Feira, apresenta o diretor voltando a trabalhar em seu primeiro longa-metragem, que ficou “parado” por um período. O cineasta ficou conhecido por dois outros longas, que receberam prêmios em diferentes festivais: “As Duas Irenes” e “Tia Virgínia”, feitos posteriormente.
Conforme informa a produção do filme, o projeto nasceu há 16 anos, quando Meira ainda finalizava seu curso de cinema em Cuba, e foi retomado ao longo do tempo, incorporando ao processo criativo a passagem dos anos e as transformações vividas por personagens e realizadores. “Ao trazer para a narrativa o próprio gesto de filmar, “Mambembe” transforma o processo cinematográfico em parte da história. O diretor constrói um filme sobre arte, desejo, memória e encontros, em uma mistura entre documentário e ficção”.
A narrativa acompanha três mulheres de um circo itinerante, Índia Morena, Madona Show e Jéssica (Dandara Ohana). Em comum, elas cruzam o caminho de um misterioso topógrafo. A partir de suas histórias, se desenha uma trama que mistura ficção e realidade. “Mambembe” é uma jornada sobre o tempo, a arte circense e o cinema.
Uma das questões interessantes do filme é a sinceridade do diretor para com o espectador. O cineasta acaba revelando o processo que ele mesmo vive ao gravar aquele longa, como as conversas de negociação e produção. Isso é muito instigante para quem quer ser ou é realizador ou pesquisador.
Outra questão foi ter encontrado, ao longo do caminho, personalidades tão diversas, que apresentam a riqueza da cultura brasileira, como os artistas dos circos. Além disso, o preconceito para com Madona, que sofre bullyng em determinadas localidades e encontrou no ambiente circense um espaço para os “diferentes”, é um registro do que parte de grupos LGBTQIA+ passam em cidades Brasil afora.
É um filme belo, sincero e cativante.
