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Maquinas e sentimentos

Maquinas e sentimentos

A vida dentro de um game. Este pode ser um sonho atrativo para quem é fã do gênero. Mas uma prisão para quem não tem opção de sair dele. Esta é a premissa de "Tron - O Legado", filme dirigido por Joseph Kosinski.

Na trama, o rico herdeiro de uma empresa de tecnologia, Sam Flynn (Garrett Hedlund), vive com a sombra de ter o pai desaparecido. Aos 27 anos, ele vai ao antigo local de trabalho do pai e descobre o que aconteceu. Através de um mecanismo inédito, o pai de Sam, Kevin (Jeff Bridges), é transportado para dentro do game que estava projetando e fica preso lá. O filho segue o mesmo caminho, mas até entender o que realmente está ocorrendo é jogado dentro de fases fatais do game, que incluem corridas de motocicletas e lançamentos de discos, que ficam entre as melhores cenas de ação do longa-metragem.

Este filme tem como ponto de partida o "Tron" original, lançado em 1982. Sem ser sucesso de bilheteria, ele agradou a um público que viu na obra o pioneirismo no uso de cenários virtuais, o que lhe garantiu uma aura de cult. No primeiro filme, Kevin Flynn, também vivido pelo ator Jeff Bridges, já como dono de uma indústria de videogames, havia entrado na "Grade", o espaço do jogo. Neste novo título, o filho encontra o pai no game, que tem agora efeitos especiais atualizados. "Tron - O Legado", em cópias 3D, tem como ponto forte, portanto, os efeitos visuais. Dentre eles, se pode destacar as motos iluminadas em estilo neón que se formam a partir de um bastão acionado pelo piloto, já em movimento.
Mas o resgate do pai não será simples, porque um programa-personagem, Clu, se corrompeu e passou a desobedecer os comandos de seu criador. E, o que é pior, passou a ser um oponente. Clu tem a mesma face de seu programador (Bridges), mas em versão mais jovem. Desta forma, se apresenta como uma criatura feita à imagem e semelhança de seu gestor. Por isso, são muitas as etapas a serem vencidas até que pai e filho possam chegar ao ponto de retorno, tendo de fugir de Clu.

Entre as novidades naquele ambiente, um tipo de vida é descoberto e personificado em Quorra (Olivia Wilde). Esta bela atriz se revela um jovem talento em cena, que deve ser aproveitado em outras produções cinematográficas. Michael Sheen ganhou um papel constrangedor para seu quilate, vivendo um estrategista e dono de bar que mistura afetação com vilania, sem convencer no humor que supostamente seu personagem deveria apresentar.

O meio cibernético de "Tron" é frio e escuro, reforçando a ideia de que, sem humanidade, as máquinas perdem a razão de existir. A trama, contudo, é contaminada pela frieza do jogo. O jovem protagonista parece ter sido escolhido por atributos atléticos, mas não tem carisma para segurar a narrativa, o que não falta a Bridges, mas não a ponto de salvar o filme. "Tron" tem o mérito de criar uma estética high tech com um toque retrô. Mas, em meio a tantas máquinas, faltou emoção.


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