Mel Gibson tenta despertar
Dois nomes fortes da cinematografia contemporândea como Jodie Foster e Mel Gibson sempre nos fazem olhar com mais atenção para o filme em questão. "UM NOVO DESPERTAR" tem o olhar de Jodie Foster por trás das câmaras. E os trejeitos de Meil Gibson na frente delas. Ambos já foram melhores em suas posições. Mas o filme não é de todo ruim. Um pouco de paciência e tolerância com as derrapadas dramáticas e uma simplicidade (quase pobreza) estética, tem sua compensação em momentos de intensidade e surpresa. A idéia da marionete que manipula o próprio não é nova. Ja esteve presente em histórias de horror como, por exemplo, em “Magia Negra” (1978), de Richard Attenborough e com Anthony Hopkins no papel do boneco. Tem até o momento em que a criatura se volta contra o criador. A outra leitura pode vir do campo da psicologia e da psiquiatria. O personagem de Gibson se refugia no bixinho de pelúcia de sua infância, retirado da caixa de mudança e de sua memória afetiva, para assumir o papel de salvador de uma vida depressiva e em declínio.
A ruptura psíquica de Gibson abre espaço para um alter ego, ou seja, uma extensão de si mesmo que assume o comando da sua existência. É um duplo que, na verdade, é ele mesmo. Uma viagem nos meandros da psique humana, da alma e do coração... tem caminho pra todos os lados.
A mulher lutadora, mãe atenta e esposa apaixonada faz de Jodie Foster uma pequena parte do que ela já mostrou ser. Sobra talento pra atuação contida.
Destaque para uma deliciosa trilha sonora, assinada pelo pianista e compositor paulista Marcelo Zarvos, radicado nos EUA .
