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“Michael”

Este longa-metragem mostra porque Michael Jackson encantou o mundo

Jafar Jackson interpreta seu tio Michael Jackson
Jafar Jackson interpreta seu tio Michael Jackson Foto : Glen Wilson / Universal Pictures / Divulgação / CP

O longa-metragem “Michael” apresenta parte da biografia de Michael Jackson, desde a infância até ser um jovem-adulto. A narrativa acompanha o artista até começar sua carreira solo, se distanciando do grupo que integrava com os irmãos, Jackson Five.

Na parte infantil, o ator mirim Juliano Valdi interpreta o cantor. Entre as cenas mais encantadoras, está a do protagonista ainda criança gravando em um estúdio sem conseguir ficar quieto. Ali se percebe que a expressão corporal e a dança acompanharam o protagonista desde cedo.

O filme mostra a controversa relação do artista com o pai, Joe Jackson, vivido com autenticidade pelo ator Colman Domingo. Se por um lado, o pai revelou ao mundo o talento do filho, por outro são claras as cenas que mostram maus tratos, exploração e violência tanto verbal quanto física que Michael sofreu por parte do pai.

E aqui está o cerne deste filme, a luta de Michael para, primeiro, “sobreviver” ao seu pai e depois para conseguir ter controle sobre a carreira, já que o pai queria manter o grupo familiar a qualquer custo.

A direção é de Antoine Fuqua, que tem no currículo filmes de ação como "Dia de Treinamento" e "O Protetor". “Michael” apresenta a ascensão da trajetória do rei do Pop, sendo exímio cantor e dançarino. Jafar Jackson está muito bem interpretando o tio, especialmente na maneira única de se apresentar no palco.

Fazendo uma defesa aos coreógrafos, vale ressaltar que foram praticamente ignorados. Certamente Michael participava da criação e dos improvisos nas expressões corporais, mas ele tinha uma equipe também na área da dança. Michael Peters, coreógrafo do clipe “Thriller”, por exemplo, não ganha atenção devida. Em uma sequência do set deste videoclipe apenas apresenta Michael pedindo para o câmera gravar a dança de uma forma em que os pés também aparecessem, citando Fred Astaire como forma de mostrar que o rei do pop se inspirou em artistas que vieram antes dele.

Vale o destaque também ao produtor musical Quincy Jones, que foi fundamental na carreira de Michael, não apenas na produção de discos, como na gravação da música “We Are The World”, em que vários cantores norte-americanos se reuniram em janeiro de 1985 para o projeto em prol do combate à fome na África.

Em resumo, este longa-metragem mostra porque Michael Jackson encantou o mundo. O recorte na faixa etária deixou de fora todas as mais polêmicas questões sobre o artista, incluindo as acusações de abuso sexual. Resta saber se uma sequência irá ou não abordar o lado controverso do cantor.

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