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Não é mano é bróder

Não é mano é bróder

Vale muito a pena conhecer uma parte do Brasil pelos olhos do talentoso e jovem diretor Jeferson De. Com uma carreira aplaudida e premiada em festivais como o de Gramado e o de Paulínia, o filme “Bróder” é uma das boas revelações das últimas produções brasileiras. Tão bom que poderia, sem dúvida, ter representado o Brasil na disputa do Oscar de Filme Estrangeiro do último ano. Não foi. “Lula” não agradou à Academia, e o Brasil ficou fora da competição.

Disputas políticas à parte, a cinematografia brasileira ganha muito com a história contada competentemente por De. Na trama, Macu (Caio Blat), Jaiminho (Jonathan Haagensen) e Pibe (Sílvio Guindane) são três amigos de infância que nasceram e cresceram na comunidade do Capão Redondo, na periferia de São Paulo. As imagens são de um realismo que convence e, por vezes, emociona,  O encontro dos amigos confronta desejos, esperanças, lutas e frustrações. Macu ainda mora no Capão e está envolvido com o crime. Craque de futebol que joga na Europa, Jaiminho visita os amigos e aguarda a convocação para a Copa. Pibe, que se mudou para outro bairro, é um pai de família, preso num universo sem muitas perspectivas na vida. No aniversário de Macu ocorre o reencontro dos três. Surge aproximação e briga por estas diferenças.

Jefferson De conseguiu fazer uma cena inicial em plano sequencia com um corte quase imperceptível. E, em meio a atuações talentosíssimas como as de Caio Blat e Cássia Kiss (que vive o papel de dona Sônia), o filme apresenta uma realidade intensa dentro de uma comunidade que é reflexo importante de parte de um Brasil contemporâneo. Presente nas pré-estreias do filme, o diretor defende sua criação, apontando o tom do “realismo sem ser apelativo”. E o filme consegue mesmo envolver o público, flertando com o cinema-favela, mas explorando algo mais, dentro das relações humanas. Transcendendo a crítica social, entrando no universo do indivíduo, de suas buscas, suas escolhas e seus fracassos pessoais. “Não é mano, é bróder”, como afirma o personagem de Blat.

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