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Nova versão para Robin Hood

Nova versão para Robin Hood

Uma história que já foi contada dezenas de vezes ganha uma versão original pelas mãos de Ridley Scott, diretor de sucessos como "Alien: O Oitavo Passageiro", "Blade Runner" e "Gladiador", entre outros. Isso porque o "Robin Hood" que chega aos cinemas em 2010 enfoca um período anterior ao do herói criar seu enclave na floresta de Sherwood e começar a roubar dos ricos para dar aos pobres (o que foi apresentado, por exemplo, no filme "Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões", de 1991, estrelado por Kevin Costner). O ator Russel Crowe, que é o atual protagonista, destacou antes de começar o filme que aceitaria interpretar a lenda, mas sua concordância veio com um aviso: "Eu disse que toparia viver Robin Hood, mas só se fosse sob um novo ponto de vista", disse. A isso, o filme corresponde plenamente.

A aventura desta vez começa quando Robin Hood ainda é um arqueiro experiente do exército do rei Ricardo I, que endividou a Inglaterra para manter suas guerras na cruzadas. O governante e seus soldados estão na França a caminho de seu país. Apesar de desgastado, o rei tem respaldo e admiração de seus súditos.

Com a morte de Ricardo I, Robin e alguns colegas retornam para a Inglaterra. Assume o trono John, outro membro da família real, e mostra inexperiência e incapacidade de comandar o país, aumentando ainda mais os impostos e se deixando levar pelo dúbio Sir Godfrey (Mark Strong). Robin Hood viaja a cavalo até chegar à aldeia de Nottingham. Lá, ele conhece a viúva Lady Marion (Cate Blanchett), uma mulher forte e contestadora, e acaba se aliando a ela e a seu povoado. Com o país enfraquecido, Robin se tornará um líder capaz de unir os descontentes.

Este filme cria uma ótima ambientação da Inglaterra do período, século XII. Apresenta cenas de ação e batalha que mostram a brutalidade da época, com muitas flechas e espadas atravessando os corpos xexelentos dos soldados. Conforme se comprova pelo currículo de Ridley Scott, é difícil o cineasta fazer um filme ruim. Com "Robin Hood" não é diferente. É um épico construído e montado de maneira correta, que resulta em uma boa história e arquiteta uma boa deixa para uma continuação. Crowe faz um personagem que cai como uma luva para ele, que se notabilizou por papéis em que encarna homens fortes e rudes. Sua parceria com o diretor já conta com quatro filmes: "Rede de Mentiras", "O Gângster", "Um Bom Ano" e "Gladiador" e pelo visto continua dando certo.

Russel Crowe e Cate Blanchett formam uma boa dupla e parecem ter se dado bem em cena, formando um típico casal anglo-saxão. Faltou apenas cenas um pouco mais quentes entre o par romântico. Isso porque a fase em que ambos se conhecem e se analisam até iniciar a "corte" absorve várias sequências do filme. Mas quando a principal batalha é vencida e chegaria a ocasião propícia para que os dois finalmente pudessem dar vazão à atração que sentem um pelo outro, esse momento mais forte inexiste. Talvez essa opção tenha sido tomada para que a classificação de idade do filme não subisse (e, desta forma, tenha mais público). Mas em minha opinião ficou faltando uma finalização mais veemente para o romance na narrativa. Não haveria necessidade de nenhuma cena de sexualidade explícita, mas não é feita sequer uma "sugestiva" que designasse o momento em que ambos se tornam efetivamente um casal. Foi o tempero que faltou.

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