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O bem atualizado

O bem atualizado

Para ver a versão cinematográfica de O BEM AMADO em 2010 é bom ir munido das referências históricas e socias do contexto em que Dias Gomes escreveu brilhantemente a peça de teatro que ganhou as telas de tevês nos anos 1970 e 1980. As figuras de linguagem, os neologismos e as metáforas pessoais, sociais e políticas estão reverenciadas novamente, agora sob a batuta do competente e atualizado Guel Arraes.

Com as apropriações da linguagem e da narrativa televisivas, o novo Bem Amado atualiza a trama tecnológica e historicamente. O tecnológico vem por conta do uso de enquadramentos e suportes que constróem imagens belíssimas em paisagens, dentro e fora das cenografias montadas para tal. O histórico se impõe na narração em off do personagem de Caio Blat, o jornalista que se apaixona pela filha "descolada" do prefeito...

Os personagens se mantém fortes, mas poderia haver mais justiça com o justiceiro Zeca Diabo. Outrora na pele do eterno Lima Duarte, ganhou o talento de José Wilker na versão 2010. Ganhou... não perdeu... mas poderia ter mais espaço para aproveitar o competente universo de atuação de Wilker, que ganha a cena e compõe o clima certo, dando à presença de Zeca Diabo, o tom especial que o personagem exige... quando ele surge em cena a trama ganha força, se desloca o eixo do centro da atenção do prefeito Odorico (Marco Nanini) Paraguassú.

O filme vira documento histórico, se atualiza e reverencia um universo político e social que, novamente, pode ser a metáfora da sociedade atual... "Apenasmente isso...", como diria Odorico...

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