Cine CP

O guardião da Bíblia em mundo pós apocalíptico

O guardião da Bíblia em mundo pós apocalíptico

Numa época futura, 30 anos após uma hecatombe, o solitário Eli (Denzel Washington) anda por meio de paisagens devastadas e sobreviventes que matam por um pouco de água. Ele tem uma missão: ser o guardião do último exemplar da Bíblia que sobrou depois de uma guerra de proporções planetárias. "O Livro de Eli", dirigido pelos irmãos Hughes, não chega a explicar exatamente o que ocorreu na guerra, mas apresenta o que restou: um mundo sem lei, com precariedade de recursos e dominado por gangues bárbaras.

Além de lutar para sobreviver, Eli faz questão de que a obra sagrada não caia em mãos que poderiam fazer o uso indevido das Escrituras. É o caso quando chega a um lugarejo dominado por um déspota, Carnegie (vivido por Gary Oldman, que tem se especializado em papéis de vilões). Líder de uma gangue de analfabetos, a maioria dos quais nasceu depois da guerra e, por isso, não tem ideia do que era o mundo de antes, ele procura o livro para ter as palavras que quer para dominar o povo e não para difundir seus princípios de amor e solidariedade. Mas não contava que a filha Solara (Mila Kunis), de sua mulher (Jennifer Beals, de "Flashdance"), começasse a seguir Eli por vislumbrar nele uma outra opção de vida fora dos domínios de seu padrasto e seus capangas.

A princípio, ver um homem defendendo a Bíblia com uma arma na mão parece uma contradição, apesar de isso, infelizmente, já ter ocorrido ao longo da história. Mas Eli é convicto de seu objetivo: levar a obra a quem possa fazer uso correto dela. No caminho para cumprir sua missão, o filme apresenta lutas bem coreografadas, que mostram que o herói domina não apenas armas de fogo, mas arco e flecha e um facão. O ambiente lembra em alguns momentos filmes como "Mad Max", mas conta com um toque mais místico em algumas cenas e grotesco em outras, em especial quando fica visível que a prática de comer carne humana se tornou um tanto usual neste mundo pós-apocalíptico.

Uma revelação ao final do filme, sobre uma deficiência do protagonista, a meu ver é desnecessário, pois não torna Eli mais ou menos herói por isso. E o que causa é um questionamento, por parte do espectador, sobre a verossimilhança de várias cenas anteriores.

A mensagem que fica, entretanto, é positiva: a de que as palavras só têm força quando colocadas em prática e não apenas por estarem impressas em uma folha de papel. A interpretação e o uso que se faz delas é o que faz a diferença.

Mais Lidas