O new burlesque em ‘Turnê’
O filme "Turnê" é dirigido e protagonizado pelo novo "queridinho" do cinema francês, Mathieu Amalric. Apresenta a história de produtor de TV francês que tentou a sorte nos Estados Unidos, mas não obteve êxito. Retorna à França para excursionar com um show de dançarinas de strip tease no estilo new burlesque. Mas não é por grandes casas de espetáculos que circulam, e sim por clubes noturnos e teatros simples de cidades medianas. A grande expectativa é para o show final, previsto para Paris. Mas o produtor precisa superar alguns obstáculos para que esta apresentação na capital francesa efetivamente se realize. Mesmo porque, alguns problemas do passado do produtor reaparecem, incluindo seus péssimos relacionamentos familiares e mágoas entre amigos.
No estilo ’new burlesque’, as artistas apresentam shows sensuais e cômicos, com uma estética corporal que foge aos padrões impostos pela indústria cultural sobre beleza. Muitas têm sobrepeso e tudo na sua aparência é exagerado. A opção pelo ’new burlesque’ pressupõe também que as dançarinas se assumam como são, sendo muito seguras de si. As atrizes do filme são artistas de ’new burlesque’ na vida real.
Mas não apenas o administrador parece estar em decadência. Integrantes da trupe também manifestam crises. Em uma de suas entrevistas, Amalric disse que teve como influência o clássico de Bob Fosse "O Show Deve Continuar". O grupo em cena parece mesmo ter teimosia para seguir em frente, mesmo perante várias dificuldades.
Este filme foi o preferido do júri da Fipresci, formado por críticos de cinema de vários países no Festival de Cinema de Cannes 2010. No mesmo evento, Amalric recebeu o prêmio de Melhor Direção pelo longa. Mas não é um filme para todos os gostos, pois muitas vezes o burlesco se assemelha ao grotesco.
