Cine CP

Paixão e letras

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Depois de levar o Prêmio Goya deste ano, o filme "A Livraria", dirigido por Isabel Coixet (a mesma de "Minha Vida Sem Mim"), mostra nas telas a sua intensidade. Não é a toa que a produção foi ovacionada na maior premiação do cinema espanhol, onde saiu vencedora nas categorias Melhor Filme, Direção e Roteiro Adaptado. Com a leveza de uma história de vida, que se concentra nos detalhes mais humanos dos personagens, o filme tem, nos livros, os coadjuvantes de luxo. A inspiração para a obra veio do romance homônimo de Penelope Fitzgerald, e apresenta a viúva de meia-idade Florence Green (vivida na medida certa da delicadeza por Emily Mortimer) decidida a suportar as agruras de abrir e manter a única livraria de uma pequena cidade no interior da Inglaterra. Um lugar em que poucos, ou quase ninguém alimenta o hábito da leitura. Mas, seu maior desafio não está dentro das quatro paredes do empreendimento, e sim na relação da personagem e de suas inspirações com o entorno do local que resolveu habitar e seguir sua vida.


Ambientada no interior da Inglaterra, no ano de 1959, a trama vai sendo povoada de personagens interessantes e fundamentais para marcar os diferentes tons que Isabel Coixet decidiu imprimir na estória contada por Penélope Fitzgerald. Destaque para as aparições de Bill Nighy e Patricia Clarckson, respectivamente o recluso viúvo Edmundo Brundish e a matriarca poderosa na cidade Violet Gamard. A narração em off que ajuda a contar a história em forma de fábula ganha força na criação de climas e na introdução de detalhes que enriquecem a trama.


Um filme delicado mas profundamente marcado pela realidade possível dos personagens que dão conta de suas mais intensas vivências. A produção ganha intensidade com as curvas narrativas que propõe, ao seguir um caminho dramático que ora aproxima e ora distancia a emoção que emprestamos em nossa percepção aos personagens da trama. Para deliciar-se... devagar....

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