O filme "Redenção", de Marc Forster, apresenta a trajetória de Sam, um ex-presidiário (Gerard Butler, de "300", "Verdade Nua e Crua" e "Código de Conduta", entre outros). Ele é um motoqueiro e usuário de drogas que mal consegue sustentar a família. Ao sair da prisão, volta a se meter em confusão. Por influência da mulher (Michelle Monaghan), uma ex-stripper que se converte ao cristianismo, começa a frequentar uma igreja evangélica. Ele dá início a um processo de mudança de vida e consegue um emprego. Depois de conseguir um certo equilíbrio nas contas, decide ir ao Sudão por um período ajudar o território destinado aos cristãos, que vivem um conflito com a área dominada pelos muçulmanos no mesmo país.A partir daí, Sam se sente chamado a uma missão: criar um orfanato para as crianças vítimas da guerra fratricida. Sua atitude passa a chamar a atenção de lideranças locais, tanto para o bem, quanto para o mal.
Os conflitos vividos neste drama não são apenas externos. Sam passa a se sentir dividido entre sua missão na África, da qual dependem as vidas de dezenas de órfãos, e sua presença junto à sua família, que fica nos Estados Unidos. A questão financeira se torna um dos cernes deste drama.
E há ainda outra temática: Sam é um impulsivo, corajoso e adora armas. É praticamente um norte-americano interiorano típico. Por isso, não hesita em mandar bala quando seu acampamento é atacado por inimigos, matando-os. Depois, passa a se adiantar e atacá-los. Isso lhe dá o apelido de pastor "Rambo", o que está mais de acordo com o título original do filme, "Machine Gun Preacher", e que o título brasileiro não conseguiu traduzir.
Neste quesito, este longa-metragem se insere em um tendência mais atual, que foge do maniqueísmo, mostrando que ninguém é totalmente bom ou totalmente mau. Assim é o protagonista: salva órfãos, mas às vezes se deixa dominar pela brutalidade e pelo ódio.
Butler é um bom ator, especialmente em filmes de ação. Por isso, se sai bem nos momentos de mostrar sua força física. Mas faltou acertar o tom para encarnar "um caipira da Pensilvânia", como se define o próprio personagem em determinada cena. Isso fica visível quando aparece o verdadeiro Sam, nos créditos finais do filme, e que dá um depoimento, visto que a história é baseada em fatos reais.
Os métodos do pastor são, portanto, polêmicos e cabe ao espectador decidir o que julgar.
Por Adriana Androvandi
