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Príncipe humanizado

Depois de recusar ser Noé no filme homônimo, lançado neste ano, Christian Bale, chega às telas encarnando o profeta Moisés, no filme "Êxodus: Deuses e Reis". Dirigida por  Ridley Scott, que dedica o filme ao seu falecido irmão mais novo Tony (diretor de "Top Gun"), a produção mostra um Moisés humanizado, em contato com o  Deus que castiga, lá no Velho Testamento, representado na tela por uma figura infantil que conversa somente com ele, em momentos muito especiais.  Na trama, Moisés começa como príncipe do Egito e se torna o líder dos judeus. Neste processo destacam-se algumas batalhas, menos sangrentas que as de outras produções épicas recentes, e  a presença das Dez Pragas do Egito  (incluindo crocodilos), que merecem ser observadas com atenção e, se possível, algum conhecimento histórico anterior. John Torturro vive o pai do  Faraó Ramsés (Joel Edgerton), que não chega a ver a briga que se desata entre seus dois protegidos. As questões humanas sobrepassam os discursos religiosos, mas há momentos que podem gerar polêmicas nas leituras bíblicas mais radicais. O próprio diretor provocou, ao dizer que a religião é “a maior fonte de mal” em uma entrevista a revista Esquire. Polêmica posta, Ridley Scott tratou de esclarecer:  “Todo mundo está brigando uns com os outros em nome de seu Deus pessoal. E a ironia é, por definição, provavelmente eles estão adorando o mesmo Deus”. Com cenas rodadas entre Espanha, Marrocos e Inglaterra, as duas horas e 30 minutos de duração do filme não chegam a atrapalhar o envolvimento do espectador, mas exigem uma atenção especial à narrativa dos personagens. Diversão com conteúdo religioso, momentos épicos e filmagens bem cuidadas. Mais do que simples diversão. Se você quiser.

Marcos Santuario

 

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