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Quase sensual

Quase sensual

Quem for ao cinema em busca de sexo explícito vai se decepcionar. Quem for em busca de um posicionamento firme diante da vida da menina que abandonou a vida de filha adotada da classe média para cair no mundo da prostituição, tambem vai. BRUNA SURFISTINHA, adaptação do livro "O Doce Veneno do Escorpião", autobiografia de Raquel Pacheco, tem direção de Marcus Baldini, que vem do mundo da publicidade e decidiu entrar de cara no universo da garota de programa que ficou famosa com a ajuda das redes sociais e do desejo sexual de muitos clientes.

Não gosto de contar enredos de filmes nos comentários. Corremos o risco de tirar aquela surpresa fundamental para absorver a obra do cinema. Mas é necessário dizer que aquilo que permanece na narrativa da trama é a imagem da adolescente rejeitada que encontra a opção de buscar no mundo seu lugar, custe o que custar. Com mochila nas costas e olhar de "songa-monga", assim começa e termina a trama principal do filme de Baldini que pode soar como história quase universal, não fossem detalhes da contemporaneidade interativa que leva Bruna/Raquel a descobrir as "maravilhas" do mundo virtual. 

Ajuda na trama o bom elenco de mulheres – Drica Moraes vive a cafetina suburbana que abre as portas do baixo meretrício para Bruna. Fabiula Nascimento e Cristina Lago são amigas prostituas, coadjuvantes de luxo para centrar a trama na personagem de Débora Secco. Conversando com Cristina, em festival de cinema paulista, ela me contou que foi ótimo trabalhar com Débora nesta trama. Ao ver o filme se percebe a Cristina solta, leve e muito bem enquadrada no papel da parceira da prostituta em ascensão.

A opção pelo pop mais do que pelo drama faz o diretor mostrar, de leve, alguns elementos que no livro são mais explícitos. A Bruna cleptomaníaca, por exemplo, não aparece com ênfase, a não ser ao roubar um cinzeiro ou ser revelada como a responsável por subtrair objeto da mãe. Ao sair do filme pode ficar aquela impressão de : qual é a moral?

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