
Assisti, pela primeira vez a "Por Trás do Céu" ao lado do diretor Caió Sóh e da atriz Nathalia Dill, em Recife. Ela via a obra pela primeira vez, como eu. "Por Trás do Céu" tem em seu elenco ainda atores como o pernambucano Renato Goés, Paula Burlamaqui e Emilio Orciollo, e foi gravado no Lajedo do Pai Mateus, em Cabaceiras, sertão da Paraíba. O resultado dos 40 dias corridos de trabalho foi o que alguns revelaram como sendo a inspiração mesmo de obras como "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa, e obras de Ariano Suassuna. Pelo menos personagens destas obras foram inspirações confessas de Nathalia na composição de sua persona na tela. Não chega a ser uma "Amélie Poulain sertaneja", mas flerta com o estilo que o diretor francês Jean-Pierre Jeunet levou às telas.
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A mescla de um certo realismo mágico com a comédia e algo da realidade palpável do contemporâneo serve para confundir e não convencer. Há momentos em que as personagens transitam por estes universos sem, contudo, concretizar a narrativa daquele momento com verdade profunda e empática. Uma direção de arte bem cuidada e uma narrativa que trata de ser comunicativa e cativante, acabam por ser vítimas desta esquizofrenia de estilos de contar a história.
Ousada, a produção deixa para discussão os temas da pobreza, dos medos, do feminino e das fugas pessoais e geográficas. Uma tentativa de retrato de parte de um Brasil que está bem localizado geograficamente, mas que também pode habitar qualquer interior de cada um de nós. Tempo aproveitado.
