Relações contemporâneas
Em pouco mais de uma hora e meia de filme, o olhar do diretor Woody Allen sobre questões humanas profundas e superficiais copõe um novo mosaico psicológico e social em TUDO PODE DAR CERTO. Allen retorna, com pulso firme e sentimento apurado, ao universo das comédias nova iorquinas. O texto é o mais importante, em piadas extremamente rápidas, misturando o elaborado e refinado, ao coloquial e de fácil digestão. O labirinto da humanidade dos personagens, no qual o diretor nos convida a penetrar, se revela assombrosamente conhecido. Visível na vida de cada um. Nem é preciso morar em Nova Iorque.
O ceticismo do personagem principal, Boris Yellnikoff (Larry David), velho rabugento ex-professor da Universidade de Columbia, se torna grandiloquente, já que o personagem se considera o único capaz de compreender a insignificância das aspirações humanas e o caos do universo. A comédia toma forma com a entrada na vida do rabugento da garota Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood). é o encontro do vivido, maduro e desiludido com o frescor jovial e a esperança encarnada. A química, aparentemente impossível, se torna convivência tolerada e que alimenta os desejos e as buscas de cada um.
Tudo Pode Dar Certo é mesmo o retorno do diretor ao estilo que o consagrou. A comédia inteligente, com diálogos ácidos e personagens que expressam um lado mais cru e divertido do ser humano. Momentos da narrativa cativam especialmente, como quando Larry David conversa com o espectador, lembrando grandes "sacadas" da trajetória de Allen.
