Com “118 Dias”, Jon Stewar estreia na direção de um longa-metragem. Stewart é famoso nos EUA por ser também ator e apresentador de TV. O filme é baseado em fatos reais, contados em um livro pelo jornalista Maziar Bahari, interpretado pelo ator mexicano Gael García Bernal. Iraniano de nascimento e radicado em Londres, Bahari volta ao seu país de origem para cobrir as eleições presidenciais em 2009. Deixa em casa a esposa grávida.Seu contrato profissional era com a revista Newsweek, dos EUA. Após chegar ao Irã, ele percebe uma majoritária preferência pelo candidato da oposição, Mir-Hossein Mousavi, cuja popularidade era visível. Mas o resultado foi a reeleição do presidente em exercício, Mahmoud Ahmadinejad, acusado de ganhar por fraude na contagem das urnas. Isso gerou violentos protestos nas ruas, cujos noticiários foram censurados nos meios de comunicação locais, mas que vazaram por meio de celulares e Internet. Bahari fez o que qualquer jornalista faria: registra e divulga o que vê. Mas o governo iraniano não aprova seu trabalho e ele acaba detido na Prisão Evin, em Teerã, acusado de traição à Pátria.
Colocado em uma solitária, ele tenta não perder a sanidade, enquanto é submetido a exaustivos interrogatórios e torturado por seu algoz (Kim Bodnia). Mas as autoridades queriam mais: vilanizá-lo. O protagonista é coagido a confessar que é um espião do Ocidente. Essa prática mostra o uso de bodes expiatórios por parte de um regime perverso para a manutenção de seu poder. “118 Dias” conta um drama pessoal, mas carrega questões mais amplas, como o exercício do jornalismo e a falta de liberdade e democracia em muitos países. Um relato coerente e intenso sobre uma realidade atual e lamentável em partes do planeta.?
