
"Elon Não Acredita na Morte", dirigido por Ricardo Alves Jr. é meio estranho, com ares de suspense.
Cinema brasileiro sem atores conhecidos, sem invenções, sem humor. Um filme onde o personagem
principal não tem nada de simpático. Pelo contrário, Elon (Rômulo Braga) é um homem bruto,
fechado, nada simpático. E um dia a sua mulher Madalena (Clara Choveaux) simplesmente
desaparece, sem deixar pistas. Nem sinal de fumaça.
Elon não vai poupar esforços para descobrir o paradeiro da mulher. Saber o que houve com ela. Ele
vai ao trabalho dela, à casa da irmã da esposa e procura até a polícia. Na casa da irmã de Madalena
não é bem recebido - ela aliás acha que Elon sufoca a esposa e talvez seja este o motivo de ela ter
"dado no pé". “Você ama de um jeito muito complicado”, diz a irmã dela para Elon. Mas a busca dele não
é facilitada por seu jeito grosso, beirando a estupidez. Ao ser demitido do emprego por faltar,
simplesmente arrota na cara do patrão, que decide por uma demissão por justa causa.
Rômulo Braga é o grande mérito do filme. Sua atuação de um homem perturbado e preocupado é
excepcional. Elon é um personagem de difícil trato, valorizado pelo rosto bruto do ator, dono de um
olhar cansado, quase insone. "Elon Não Acredita na Morte" não é um filme para qualquer espectador.
Com longos momentos de silêncio e planos sequência - sempre mostrando o personagem principal de
costas, como se quisesse mostrar o afastamento dele do mundo, que lhe é hostil. Mas talvez um
mundo que ele deixou assim.
