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Ritos de passagem em meio à tecnologia

Ritos de passagem em meio à tecnologia

O filme "As Melhores Coisas do Mundo" aborda o que é ser adolescente hoje, num ambiente urbano e com amplo acesso à tecnologia, como celulares e internet. A diretora de cinema Laís Bodanzky, reconhecida por trabalhos anteriores em que trata com muita sensibilidade as questões humanas, como em "Bicho de Sete Cabeças" e "Chega de Saudade", agora joga seu foco sobre a adolescência. Inspirado na série infanto-juvenil "Mano: Cidadão-Aprendiz", escrita por Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, o filme é ambientado em uma escola da classe média-alta de São Paulo.

O protagonista Mano (Francisco Miguez) passa pela adolescência e pelos diversos ritos de passagem que esse período concentra, como a afirmação entre os amigos e a tentativa do sucesso com o sexo oposto. Dúvidas como "esperar a garota certa" ou fazer como alguns amigos, que frequentam prostitutas, para perder a virgindade estão entre seus dilemas. Até que uma surpresa o perturba: seus pais resolvem se separar. Como é comum acontecer em casos de separação, ele acaba se unindo mais ao irmão (Felipe Galvão, o Fiuk, filho de Fábio Jr. na vida real). A tecnologia permeia todos os processos de socialização na escola e, muitas vezes, é invasiva. Isso fica claro quando a blogueira do colégio fotografa tudo o que pode e posta na Internet. É uma geração que vive sob constante exposição, com o que de bom e ruim isso pode trazer. Uma das questões mais preocupantes é o bullyng, como a divulgação entre os colegas de uma foto de uma adolescente sem blusa que passa a circular por celulares e internet. Outro problema enfocado no filme, e que raramente é explorado no cinema, é a de tentativas de suicídio juvenil, em meio a casos que podem envolver decepções amorosas, alterações no lar e uso de drogas. O longa-metragem mostra, portanto, que os jovens de hoje têm preocupações como as de gerações passadas, mas tudo é intensificado pelo tecnologia, pois tudo pode ser reproduzido.
Uma dos pontos que merecem elogios no filme é a direção de Laís Bodanzky, que consegue extrair uma atuação homogênea do elenco, com destaque para o protagonista, o novato Francisco Miguez, que atua com naturalidade. E também para Fiuk, que mostra não ser apenas mais um rosto bonito que surge na TV ao interpretar um jovem perturbado. Uma das surpresas também é o papel de Denise Fraga como a mãe do protagonista. Ela se sai bem neste papel dramático, apesar de ser mais reconhecida como comediante. O único que parece estar um tanto deslocado é Paulo Vilhena, que faz o papel de um professor de violão que se torna uma espécie de psicólogo para Mano.
Apesar de mostrar a complexidade do que é ser adolescente hoje e de todos as marcas físicas e psicológicas que essa fase pode deixar, seja em experiências positivas ou negativas, o filme deixa uma mensagem positiva: a de que o amadurecimento pode ser dolorido, mas ao lado dos amigos certos, pode ser uma das melhores fases da vida. Ao mesmo tempo, enquanto o jovem começa a decidir e opinar com a própria cabeça, pode perceber em que tribo ele se encaixa melhor ou mesmo criar uma, como no caso do filme, a chapa para o grêmio estudantil Mundo Livre

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