Ritual forte
Conheci Alice Braga em um Festival de Cinema de Punta del Este, quando a linda jovem, talentosa e sobrinha da famosa tia que encarnou Gabriela, recebeu prêmio de Melhor Atriz por sua atuação em "Cabeça a Prêmio", de Marco Rica. Em conversas com ela já foi possível perceber a força artística da moça. Vê-la agora, ao lado de Anthony Hopkins, é estimulante, sentindo que ela tem um caminho cinematogrãfico intenso pela frente. Atenciosa, humilde e confiante, Alice convence na tela, em O Ritual, na pele da jornalista que vai à Roma para uma imersão no universo do exorcismo, no coração da Igreja Católica. O papel não é o mais importante, mas ela o faz com dignidade, sem interferir nas atuações dos protagonistas, que fazem do filme uma obra que merece ser vista.
O filme não se centra somente no terror, no susto ou no sobrenatural. Aposta nos conflitos de fé, na relação entre vida e morte, e entre o malévolo e o divino. Hopkins é senhor de suas cenas, vivendo com intensidade o papel do padre experiente e sincero, com a mesma força que, em 1991, interpretou Hannibal Lecter em "O Silêncio dos Inocentes".
Envolvente, a trama mantém a atenção do espectador, com boas cenas de suspense e de impacto psicológico. As discussões filosóficas são apresentadas sem peso, fazendo pensar sem negativa densidade.
